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Desabamento em Miami não foi por mudança climática, diz especialista

A falta de reforço na construção do prédio que caiu na Flórida, ou talvez danos causados pela água, foi a causa mais provável. Apesar disso, mudanças climáticas preocupam para o futuro

Problemas de construção ou danos causados pela água à fundação, e não as mudanças climáticas, provavelmente estão por trás do colapso de um prédio residencial à beira-mar no sul da Flórida, de acordo com um especialista.

As autoridades têm poucas respostas sobre o que fez com que grande parte do prédio de 12 andares em Surfside, no condado de Miami-Dade Flórida, desabasse na manhã de quinta-feira. Pelo menos 16 pessoas morreram e mais de 140 estão desaparecidas.

A tragédia ocorreu quando as cidades da região de Miami já experimentam os efeitos de marés altas, mas Stephen Leatherman, professor da Universidade Internacional da Flórida especializado em praias, diz que ainda não há evidências de que esse fenômeno, um produto das mudanças climáticas, contribuiu para o colapso.

"Duvido que esse tenha sido um problema aqui", afirmou à AFP durante uma entrevista em sua casa em Miami.

A falta de reforço na construção do prédio, ou talvez danos causados pela água que comprometeram sua fundação, foi a causa mais provável, segundo Leatherman.

"A maior preocupação aqui são os furacões, a erosão das praias, as inundações, todos esses problemas. Mas o desabamento de um prédio é algo novo. Nunca vimos isso antes, especialmente em um prédio alto", aponta.

O estabelecimento das causas com precisão exigirá uma investigação demorada.

Boom imobiliário

Antes de desabar em questão de segundos, Champlain Towers South fazia parte de uma série de prédios altos que se estendem ao longo da costa do sul da Flórida e que se intensificaram em meio a um boom imobiliário.

Construir em cidades como Surfside, localizadas nas ilhas-barreira do Atlântico neste estado sujeito a furacões, apresenta desafios únicos, diz Leatherman.

"Geralmente se constrói na areia", ao contrário do calcário de Miami, que é mais presente no interior, aponta Leatherman.

A legislação aprovada em 1982 obriga os construtores a escavar e construir sapatas sob os pilares do edifício, mas o bloco da torre que desabou foi concluído em 1981, por isso não possui este sistema de alicerce.

Leatherman também questiona se os empreiteiros instalaram vergalhões suficientes para suportar o edifício de concreto, bem como a qualidade da areia necessária para fazer o concreto.

A mídia americana informou que antes da catástrofe já havia preocupação com o estado do prédio.

Uma avaliação feita por um engenheiro em 2018 constatou "danos estruturais significativos" no complexo, estendendo-se até a laje de concreto sob o deck da piscina e as vigas e colunas de concreto do estacionamento.

Primeiro, a água doce

Em razão das mudanças climáticas, os edifícios do sul da Flórida podem sofrer com inundações cada vez mais frequentes, à medida que o aumento do nível do mar eleva a água subterrânea. Mas Leatherman diz que não será água salgada corrosiva, pelo menos não no início.

"Essa água vai ser doce, mas se entrar água salgada, pode entrar e enferrujar o vergalhão, o que não é muito bom", explica.

No entanto, o problema se agravou a ponto de ser comum ver moradores navegando em avenidas inundadas durante as chuvas de verão.

Em fevereiro, o governo do condado de Miami-Dade anunciou que gastaria bilhões de dólares para combater o aumento do nível do mar e, no ano passado, o governo dos Estados Unidos fez com que caminhões despejassem areia em Miami Beach para impedir a erosão que, segundo Leatherman, se acelerou devido às mudanças climáticas.

Mas não há muito que possa ser feito, e ele prevê que as propriedades caras dos arranha-céus logo terão de se acostumar com as inundações de seus andares inferiores, enquanto outras partes de Miami podem acabar sendo totalmente abandonadas.

"Não sei se seremos a nova Veneza, mas espero que não sejamos Atlântida", conclui.

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