Cruzeiro para elite mostra que chilenas ainda são 3ª classe

Embora a presidente do Chile seja Michelle Bachelet, mulheres representam apenas três por cento dos executivos seniores em grandes empresas

Santiago - Líderes políticos e empresariais chilenos deram um pulo em Londres por dois dias neste mês para atrair investidores estrangeiros e exibir o melhor que o país latino-americano tem para oferecer. A comitiva não incluiu muitas mulheres.

Apenas uma dos 22 oradores era uma mulher, e dos 350 executivos e líderes políticos que curtiram um cruzeiro pelo rio Tâmisa após o evento, pouco mais de 15 eram mulheres e nenhuma delas era executiva de empresa.

O Chile Day, como o evento é conhecido, foi uma representação da elite econômica do país mais rico da América Latina. Não há mulheres CEOs ou presidentes entre as 40 empresas que compõem o índice acionário de referência do Chile, o IPSA.

Embora a presidente do país seja Michelle Bachelet, ex-chefe da agência da Organização das Nações Unidas que promove a igualdade entre gêneros, as mulheres representam apenas três por cento dos executivos seniores em grandes empresas, segundo um estudo da Universidade Diego Portales, de Santiago.

O Chile Day “foi um reflexo da realidade atual no nosso país”, disse Jessica López, gerente-geral do Banco del Estado de Chile, com sede em Santiago, e uma das poucas mulheres no evento. “Eu simplesmente não consigo entender a pouca presença de mulheres nos conselhos das empresas chilenas. Será por motivos culturais? Sinceramente, eu não entendo”.

O evento anual Chile Day é organizado pela InBest, uma aliança público-privada patrocinada pelo Ministério da Fazenda do país. A assessoria de imprensa da pasta não pôde responder imediatamente a uma pergunta da Bloomberg News sobre a participação feminina.

‘Evento aberto’

“O Chile Day é um evento aberto para qualquer um que quiser participar, mas infelizmente a baixa participação feminina é um reflexo do número reduzido de mulheres em cargos seniores na indústria financeira chilena”, disse Axel Christensen, integrante do conselho da InBest e chefe de estratégia para a América Latina da BlackRock.

Embora nesta semana tenha ficado na posição de número 66 entre 142 países no relatório do Índice Global de Diferença de Gênero, do Fórum Econômico Mundial, e em 30º em escolaridade, o Chile se classificou em 128º lugar entre 131 países em termos de igualdade salarial, o nível mais baixo no Hemisfério Ocidental.

Em termos de participação econômica e oportunidades, o país ficou em 119º lugar, atrás de Mali e da Guiana e um degrau acima do México.

O fórum é uma organização sem fins lucrativos com sede em Genebra que visa à colaboração público-privada para solucionar problemas globais.

Não há interesse

“Não existe vontade de incorporar mulheres ou de se ter uma diversidade maior nos conselhos das empresas”, disse Teresa Oliva, sócia da KPMG Auditores Consultores Ltda., por telefone, de Santiago. “Infelizmente, hoje, este não é um assunto dos executivos das empresas”.

Na América Latina, o índice de Diferença de Gênero do Chile está abaixo do de países como Argentina, Colômbia, Peru, Panamá e Equador.

E está à frente dos índices de Brasil, México, Uruguai e Venezuela. Bachelet prometeu melhorar a situação e propôs a criação do primeiro Ministério da Mulher e Igualdade de Gêneros do país.

O projeto está atualmente sendo debatido no Senado. Contudo, até mesmo Bachelet descartou uma promessa feita em seu primeiro mandato de nomear mulheres para metade dos cargos ministeriais.

Segundo a agência reguladora das pensões no Chile, as mulheres ganharam 20 por cento menos que os homens, em média, em 2013. A diferença aumentou seis pontos porcentuais na última década.

“As mulheres não têm acesso aos principais cargos porque não têm experiência e, portanto, não têm nenhuma chance de adquirir experiência”, disse Paula Poblete, diretora da Estudios ComunidadMujer, uma entidade sem fins lucrativos com sede em Santiago que defende a igualdade para as mulheres no ambiente de trabalho, por e-mail, em resposta a perguntas.

“Isso é fundamental para romper estereótipos a respeito do desenvolvimento intelectual e técnico das mulheres”.

Bachelet iniciou seu segundo mandato em março, prometendo promover mais mulheres na política. A desigualdade entre gêneros representa um “enorme desafio”, disse ela.

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