Criticada pela Otan, China acusa a Aliança de ter as mãos "manchadas de sangue"

Documento com o título "Conceito Estratégico" afirma que China representa um "desafio" para os interesses e a segurança dos países da Otan
As ambições declaradas e as políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores", afirma documento (Denis Doyle/Getty Images)
As ambições declaradas e as políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores", afirma documento (Denis Doyle/Getty Images)
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AFPPublicado em 30/06/2022 às 10:54.

A China criticou nesta quinta-feira a Otan, após a publicação de um documento que apresenta como uma ameaça, e acusou a Aliança militar de ter "as mãos manchadas de sangue".

A Aliança Atlântica, em seu documento com o título "Conceito Estratégico" e que não era revisado desde 2010, afirma na quarta-feira em sua reunião de cúpula em Madri que China representa um "desafio" para os interesses e a segurança dos países da Otan.

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"As ambições declaradas e as políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores", afirma a Organização do Tratado do Atlântico Norte no documento.

Esta foi a primeira vez que o texto fez referência à China, que não era tradicionalmente mencionada na missão da Aliança.

Uma prova da crescente preocupação com a China foi a participação no encontro de cúpula, pela primeira vez, de funcionários dos governos do Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

"A China não é um adversário", insistiu, no entanto, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Como era esperado, o documento foi criticado por Pequim.

"Este suposto documento de Conceito Estratégico da Otan ignora a realidade e apresenta os fatos ao contrário. Se esforça (...) para difamar a política externa da China", disse Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

"Tem a obstinação equivocada de apresentar a China como um desafio sistêmico", completou o porta-voz, que expressou a "firme oposição" de seu país ao documento da Otan.

A OTAN denuncia em particular "o aprofundamento da parceria estratégica entre China e Rússia e suas tentativas de minar a ordem internacional".

As potências ocidentais alertaram diversas vezes Pequim contra qualquer apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, que a China não condenou.

Por sua vez, a China critica a Otan como uma organização militar hostil, a serviço dos interesses dos Estados Unidos.

"A China não é, em absoluto, o desafio sistêmico que a Otan imagina. Na realidade, a Otan é a que constitui um verdadeiro desafio sistêmico para a paz e a estabilidade mundiais", disse o porta-voz Zhao Lijian.

"A Otan finge ser uma organização regional e de natureza defensiva. De fato, não para sua ampliação além de seus limites regionais e de suas competências, de provocar guerras e matar civis inocentes", acrescentou.

"As mãos da Otan estão manchadas de sangue, dos povos do mundo", destacou, em referência às intervenções da Aliança no Afeganistão, na Líbia ou ao bombardeio da embaixada da Chinesa na Sérvia, em 1999.

Este último aconteceu, que matou três jornalistas chineses, manchou a reputação da Otan no país asiático.

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