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Crise energética global: IEA recomenda home office e redução de velocidade para economizar energia

Agência internacional propõe 10 medidas urgentes para conter consumo diante da alta do petróleo

Proposta busca reduzir consumo global em meio à crise energética considerada a mais grave desde os anos 1970 (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Proposta busca reduzir consumo global em meio à crise energética considerada a mais grave desde os anos 1970 (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 22 de março de 2026 às 15h13.

Com os preços da energia ainda pressionados pelo conflito no Golfo, a Agência Internacional de Energia (IEA) pediu que governos adotem medidas emergenciais para reduzir o consumo global. Entre as principais recomendações estão a ampliação do home office e a redução dos limites de velocidade nas estradas.

A agência propôs um pacote com 10 ações voltadas a transporte, hábitos de trabalho e consumo residencial. Segundo o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, o mundo enfrenta “a maior ameaça à segurança energética global da história”.

Redução de consumo e mudança de hábitos

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Incentivar o trabalho remoto;
  • Reduzir limites de velocidade;
  • Promover o uso de transporte público;
  • Implantar rodízio de carros em centros urbanos;
  • Estimular caronas e direção eficiente;
  • Evitar viagens aéreas, especialmente a trabalho;
  • Substituir fogões a gás por elétricos.

A IEA também recomenda preservar o uso de gás liquefeito de petróleo (GLP) para atividades essenciais, e redirecionar veículos adaptados a biocombustíveis para outras alternativas energéticas.

Países já adotam restrições

Diversos países asiáticos já implementaram medidas para conter o consumo de energia. Em Bangladesh, o ar-condicionado não pode ser regulado abaixo de 25°C. Na Tailândia, o limite é 26°C.

Paquistão e Filipinas adotaram semana de quatro dias para servidores públicos. Outros países reduziram horários escolares e restringiram viagens aéreas de autoridades.

A IEA reúne 32 países-membros, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Japão, Austrália e diversas nações europeias. O órgão atua como observador global do setor energético, fornecendo análises e recomendações sobre segurança energética e transição para fontes limpas.

Liberação de reservas de petróleo

No início do mês, os países membros da IEA concordaram em liberar 400 milhões de barris de petróleo — cerca de 20% das reservas estratégicas emergenciais.

Birol afirmou que novos volumes podem ser liberados caso seja necessário aliviar o impacto econômico. Segundo ele, a dimensão da crise energética atual supera choques anteriores, como os da década de 1970 e a alta do gás após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O diretor da agência também destacou que a recuperação da infraestrutura energética no Golfo pode levar meses. Campos de petróleo, refinarias e oleodutos sofreram danos significativos.

Para Birol, a reabertura plena do Estreito de Hormuz é essencial para estabilizar o mercado global. Mesmo assim, a oferta de petróleo e gás deve permanecer abaixo dos níveis pré-conflito por um período prolongado.

Transição energética pode acelerar

A crise pode impulsionar investimentos em energia renovável, tecnologia de baterias e usinas nucleares, segundo a IEA. Durante crises anteriores, como nos anos 1970, houve expansão global da energia nuclear e avanço na eficiência dos veículos.

Agora, a agência prevê um novo ciclo de transformação energética em resposta ao atual choque nos preços do petróleo e do gás.

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