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COP27 recebe Biden e divulga relatório alarmante sobre emissões de CO2

Os países em desenvolvimento exigem em Sharm el Sheikh a aprovação de um fundo para "perdas e danos" devido às mudanças climáticas

O assunto foi finalmente incluído na agenda da conferência, que termina em 18 de novembro. Mas oficialmente os países da COP ainda têm dois anos para continuar negociando (AFP/AFP)

O assunto foi finalmente incluído na agenda da conferência, que termina em 18 de novembro. Mas oficialmente os países da COP ainda têm dois anos para continuar negociando (AFP/AFP)

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AFP

11 de novembro de 2022, 09h11

As emissões de CO2 dos combustíveis fósseis vão bater recordes em 2022, de acordo com um novo relatório alarmante divulgado nesta sexta-feira (11) na conferência do clima da ONU (COP27), que recebe o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. 

Aliviado com os resultados eleitorais em seu país, Biden fará um discurso diante de delegados de quase 200 países, engajados em longas negociações que se anunciam difíceis para os países desenvolvidos, com os Estados Unidos à frente.

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Os países em desenvolvimento exigem em Sharm el Sheikh a aprovação de um fundo para "perdas e danos" devido às mudanças climáticas.

O assunto foi finalmente incluído na agenda da conferência, que termina em 18 de novembro. Mas oficialmente os países da COP ainda têm dois anos para continuar negociando.

- Atualizar as promessas -

Biden permanecerá apenas algumas horas neste balneário egípcio à beira do Mar Vermelho, para o discurso e uma reunião bilateral com seu homólogo egípcio, Abdel Fatah al Sissi.

Sua intenção é lembrar que em agosto assinou uma lei de transição energética e medidas climáticas de 370 bilhões de dólares.

Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos garantiu que Biden também chega com a intenção de anunciar um novo corte nas emissões dos EUA de até 52% em 2030, em comparação com os níveis de 2005.

A comunidade internacional como um todo não tem honrado sua promessa de reduzir as emissões de CO2, apesar de, segundo os cientistas, esta ser a condição essencial para que o mundo não ultrapasse +1,5ºC de temperatura média em relação à era pré-industrial.

Apenas 30 países atualizaram suas metas para reduzir ainda mais suas emissões antes da reunião de Sharm el Sheikh, apesar do compromisso mútuo acordado há um ano.

As emissões de CO2 fóssil aumentarão 1% em relação a 2021, afirma o relatório do Global Carbon Project divulgado nesta sexta-feira.

A ONU, por sua vez, anunciou nesta sexta-feira um programa de satélite de detecção e alerta do espaço para tentar conter as emissões de metano, um gás de efeito estufa muito poderoso. Os satélites poderão identificar grandes vazamentos desse gás para que governos e empresas possam reagir rapidamente.

- Ouvir as partes -

Em meio à crise energética, e com quase todos os indicadores climáticos no vermelho, as finanças dominam as negociações da COP27.

A Colômbia revelou na quinta-feira sua estimativa de perdas e danos anuais devido ao clima: 4,3 bilhões de dólares.

"As partes têm posições divergentes. E há alguns que, claro, gostariam de ver o estabelecimento de uma instituição sob o mecanismo financeiro da convenção. Parece difícil", afirmou Julio Cordado, um negociador chileno que, junto com sua contraparte alemã, preside o grupo de trabalho sobre "perdas e danos".

Em Sharm el-Sheikh, outra discussão delicada também foi aberta: como atualizar a quantia de 100 bilhões de dólares por ano que os países ricos prometeram destinar às nações pobres, basicamente para mitigar suas emissões de gases e adaptação à nova realidade.

O valor foi prometido em 2009, para 2020. Dois anos depois do prazo, foi cumprido apenas parcialmente.

O principal emissor de CO2 do planeta, a China, mantém uma posição cautelosa, entre sua aliança com o grupo de países em desenvolvimento (G77, que agrupa 134 países) e seu status de segunda maior economia do planeta.

O presidente chinês Xi Jinping não participou da COP27. Embora as relações com os Estados Unidos estejam muito frias, Xi e Biden se encontrarão durante a cúpula do G20 na próxima semana na Indonésia.

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