China precisa “mostrar as cartas” para os EUA, defende diplomata chinesa

A relação entre China e EUA segue estremecida. Para contornar isso, diplomata chinesa defende que os chineses sejam proativos e sinceros com os americanos
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: Partido Comunista chinês deve ser sincero com os americanos em encontro no Havaí, defende diplomata chinesa (Mikhail Svetlov/Getty Images)
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: Partido Comunista chinês deve ser sincero com os americanos em encontro no Havaí, defende diplomata chinesa (Mikhail Svetlov/Getty Images)
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Gabriela Ruic

Publicado em 17/06/2020 às 11:17.

Última atualização em 17/06/2020 às 11:18.

A China e os Estados Unidos estão envolvidos em um novo momento de tensão, que será tema de um encontro que deve acontecer nesta quarta-feira, 17, no Havaí (Estados Unidos). A reunião seria entre o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e um dos diplomatas do alto escalão do Partido Comunista da China, Yang Jiechi, mas ainda não foi confirmada oficialmente.

Se esse encontro acontecer, Pequim precisa mostrar todas as suas cartas e pressionar Washington por um diálogo sincero, defende Fu Ying, diplomata chinesa e ex-vice-ministra das Relações Exteriores. Fu, que atuou nessa posição entre os anos de 2009 e 2013, era Obama nos Estados Unidos, falou sobre o assunto a uma revista chinesa, um texto repercutido pelo site Southern China Morning Post, veículo de imprensa baseado em Hong Kong.

A diplomata também pediu que os países se mantenham fieis ao acordo de fase um, firmado no início do ano e que dá início ao processo de restabelecimento da paz no comércio entre as potências. “Abrir mão desse acordo trará riscos maiores, enquanto que implementá-lo irá evitar a deterioração rápida dos laços”, escreveu Fu. “A maioria dos pontos do documento são questões que a China precisa resolver em âmbito doméstico”, analisou.

Ainda de acordo com Fu, a China precisa ser proativa. Nesse sentido, o país deve tratar com transparência sua política de defesa.

Na sua análise, independentemente do resultado da eleição americana em novembro, “tomadores de decisão” chineses e americanos vão precisar sentar para discutir a próxima fase desse relacionamento. Prevê, no entanto, que os Estados Unidos vão continuar a pressionar a China em áreas-chave, como comércio e segurança, ainda que em uma eventual presidência do democrata Joe Biden.

Embora não tenha sido confirmado, o encontro entre Pompeo e Yang foi primeiro relatado pela rede de notícias CNN. De acordo com a publicação, que não cravava o nome do diplomata chinês que participaria do evento, a cúpula teria como objetivo tratar do relacionamento entre os países, que passaram os últimos meses se engalfinhando na guerra comercial, e que voltou a estremecer em razão da pandemia do novo coronavírus e a crise em Hong Kong.