Chegaremos a 1 milhão de casos e 50 mil mortes nos próximos dias, diz OMS

Diretor-geral da OMS falou sobre o impacto do coronavírus na América do Sul e na África e evitou comentar as declarações do presidente Bolsonaro

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou preocupação com o rápido avanço global do coronavírus. Em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, o líder da entidade afirmou que, nos próximos dias, o número de casos da doença deve chegar à marca de 1 milhão, com 50 mil mortes.

“Nas últimas cinco semanas, vimos um crescimento quase exponencial no volume de novos casos, alcançando quase todos os países, territórios e áreas”, destacou.

Tedros salientou que, por ser a primeira pandemia de coronavírus da história, o comportamento da covid-19 ainda é desconhecido. “Estamos trabalhando duro com pesquisadores em todo o mundo para gerar evidências sobre quais medicamentos são mais efetivos no tratamento da doença”, disse.

O médico etíope revelou que há estudos também sobre a eficácia do uso de máscaras. A OMS recomenda a utilização do item apenas para pessoas infectadas ou as que estejam cuidando de pacientes. “No entanto, as máscaras só são eficientes se combinadas com outras medidas de proteção”, ressaltou.

O diretor-executivo da Organização, Michael Ryan, lembrou que ainda não há terapia comprovada contra a doença e que, por isso, é preciso ter cuidado no uso de medicamentos que ainda não foram estudados. Ele também pediu que os países adotem políticas abrangentes de contenção, para que não precisem ficar mudando as orientações todos os dias. Segundo Ryan, a quarentena não pode ser a única ação contra o vírus.

Impactos na América do Sul e África

O diretor-geral da OMS afirmou que a pandemia do novo coronavírus terá consequências sérias para os países da América do Sul, Central e África, e defendeu que esses países estejam equipados para conseguir identificar o maior número possível de casos de pessoas contaminadas.

“O coronavírus vai ter sérias consequências sociais, econômicas e políticas na América do Sul e África”, disse Tedros Adhanom, destacando que o mundo chegará a 1 milhão de contaminados e a 50 mil mortos nos próximos dias. “Precisamos garantir que esses países detectem, testem, isolem e tratem esses casos, identificando os contatos com pessoas infectadas”. Os casos de coronavírus mais que dobraram na última semana.

Tedros Adhanom destacou que muitos países estão determinando que as pessoas fiquem em casa e reduzam a circulação, o que limita a transmissão do vírus, mas traz consequências para as pessoas mais pobres. “Pedi aos governos governos que implementem medidas de bem-estar social para garantir que as pessoas vulneráveis ?? Tenham alimentos e outros itens essenciais durante esta crise”.

O diretor da OMS lembrou que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou um pacote de US$ 24 bilhões, incluindo comida gratuita para 800 milhões de pessoas. O projeto determina ainda a transferência de dinheiro para 204 milhões de mulheres pobres e o fornecimento gratuito de gás de cozinha para 80 milhões de famílias nos próximos 3 meses.

“Muitos países em desenvolvimento lutarão para implementar programas de bem-estar social dessa natureza. Para esses países, o alívio da dívida é essencial para que eles possam cuidar de seu povo e evitar o colapso econômico”.

Tedros destacou que ainda existem muitas incertezas e que todo o planeta está em processo de aprendizado diário. “É a primeira pandemia de coronavírus do mundo e o seu comportamento é desconhecido ainda. É por isso que precisamos estar no ‘modo aprendizado'”. Ele pediu novamente solidariedade e cooperação internacional não apenas para a saúde pública, mas para lidar com os efeitos sociais e econômicos que muitos países estão enfrentando.

Bolsonaro

Questionado sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas de contenção do coronavírus, o comandante da OMS ficou em silêncio e sinalizou para que o diretor-executivo da entidade, Michael Ryan respondesse à pergunta. Ryan não citou Bolsonaro, mas pediu que os países adotem uma política “abrangente” contra a pandemia e preparem seus sistemas de saúde.

Na abertura da coletiva, Tedros reconheceu que, embora possam desacelerar a transmissão do vírus, as medidas de isolamento social também podem ter consequências não intencionais para as populações mais pobres. “Instei os governos a implementarem programas sociais para garantir que pessoas vulneráveis tenham comida e outros itens essenciais durante a crise”, destacou.

O diretor-geral da Organização salientou que fatores sociais e econômicos precisam ser considerados na resolução da pandemia, sobretudo em economias em desenvolvimento. “Para esses países, alívios de dívida são essenciais para permitir que eles cuidem de seus povos e evitem o colapso econômico”, disse.

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