Charles III visita Gales antes da 'Vigília dos Príncipes' em Londres

"Diolch o galon ichi am eich geiriau caredig" (Obrigado de coração por suas palavras amorosas), disse em galês o rei, de 73 anos
Mas centenas de pessoas, admiradoras da família real, também receberam Charles III e a nova rainha consorte, Camilla (Matthew Horwood/Getty Images)
Mas centenas de pessoas, admiradoras da família real, também receberam Charles III e a nova rainha consorte, Camilla (Matthew Horwood/Getty Images)
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AFPPublicado em 16/09/2022 às 12:02.

Charles III encerrou nesta sexta-feira (19) em Gales sua viagem pelo Reino Unido como novo monarca, antes de velar durante a noite o caixão da falecida mãe, Elizabeth II, ao lado dos irmãos na "Vigília dos Príncipes" em Londres.

"Diolch o galon ichi am eich geiriau caredig" (Obrigado de coração por suas palavras amorosas), disse em galês o rei, de 73 anos, após as demonstrações de carinho e pêsames do Parlamento regional, que visitou ao lado da esposa Camilla após uma cerimônia religiosa na catedral Llandaff de Cardiff.

Sua mãe faleceu no dia 8 de setembro aos 96 anos. A morte deste símbolo de unidade durante seu longo reinado de sete décadas estimulou o sentimento independentista em Gales, assim como na Escócia e Irlanda do Norte, o que transformou a viagem de Charles III em uma missão crucial.

"Espero que Gales seja independente. Certamente afetaria nossa economia porque dependemos da economia do Reino Unido, mas acredito com força na independência", declarou à AFP Zahra Ameri, de 22 anos, funcionária de uma loja de chá.

Mas centenas de pessoas, admiradoras da família real, também receberam Charles III e a nova rainha consorte, Camilla, com bandeiras de Gales, brancas e verdes com um dragão vermelho.

"Queremos dar apoio, estar ao lado dele, dar pêsames. Não vamos ao funeral, pensamos que ver um integrante da família real vivo é melhor que acompanhar o funeral de alguém", afirmou Vera Jackson, bancária de 39 anos.

Em Londres, milhares de pessoas prestaram a última homenagem à rainha Elizabeth II em Westminster Hall, a parte mais antiga do Parlamento britânico.

Na manhã desta sexta-feira, o fluxo contínuo de súditos obrigou as autoridades a suspender por pelo menos seis horas o acesso à fila de vários quilômetros, onde a espera até o caixão é de quase 14 horas.

O anúncio aconteceu pouco depois de um ataque a facadas que deixou dois policiais feridos no bairro central do Soho.

Os policiais atacados estão fora de perigo e a força de segurança descartou qualquer motivação terrorista, mas o ataque provocou inquietação sobre a segurança para o funeral de Elizabeth II, programado para segunda-feira e que deve ter a presença de centenas de chefes de Estado e representantes de monarquias de todo o mundo.

"Vigília dos Príncipes"

Multidão aguarda em fila nos jardins de Victoria Tower para ter acesso à sede do Parlamento britânico, onde está o caixão da rainha Elizabeth II

Dentro de Westminster Hall, o caixão de Elizabeth II está sobre um catafalco roxo, no topo de um pedestal, coberto pelo estandarte real, a coroa imperial e o cetro, símbolos do poder da monarquia britânica.

A câmara ardente permanecerá aberta até 6H30 (2H30 de Brasília) de segunda-feira, poucas horas antes do funeral de Estado na Abadia de Westminster e do sepultamento da rainha em uma capela no Castelo de Windsor.

As homenagens provocam cenas de grande emoção e profundo respeito por parte da população britânica.

Na sexta-feira à noite, a partir das 19H30 (15H30 de Brasília), Charles III e seus irmãos Anne, de 72 anos, Andrew (62) e Edward (58) prestarão homenagem a sua mãe com a "Vigília dos Príncipes", uma tradição iniciada em 1936, quando os quatro filhos de George V permaneceram em guarda ao redor de seu caixão.

Charles e seus irmãos já velaram o caixão de Elizabeth II em Edimburgo na segunda-feira, enquanto os escoceses prestavam homenagem à monarca em uma câmara ardente estabelecida no país porque ela faleceu quando estava no castelo de Balmoral.

Durante 10 minutos, eles permaneceram com as cabeças inclinadas ao lado do caixão de carvalho, vestidos com seus trajes militares, com exceção de Andrew, de quem a própria rainha retirou a honraria no ano passado por seu envolvimento em um escândalo sexual.

Porém, uma exceção permitirá que nesta ocasião Andrew utilize o uniforme, assim como também o príncipe Harry, de 38 anos.

De acordo com fontes da família real, Charles III teria solicitado a presença dos oito netos de Elizabeth II na vigília. Mas não está confirmado se a participação acontecerá nesta sexta-feira, ao lado de seus pais, ou no sábado.

Controvérsia em Gales

Com a ascensão de Charles, o título de Príncipe de Gales passou para seu filho mais velho, William, de 40 anos, agora herdeiro do trono.

Porém, muitas pessoas nesta região do sudoeste da Grã-Bretanha desejavam a abolição do titulo criado há sete séculos.

"Há opiniões divergentes. Muitas pessoas não querem o título de Príncipe de Gales porque acreditam que deveria pertencer a um galês", disse à AFP Maria Sarnacki, prefeita de Caernarfon, cidade conhecida por seu imponente castelo.

O título de Príncipe de Gales foi utilizado originalmente pelos príncipes nativos, mas o último, Llywelyn ap Gruffudd, foi executado em 1282 durante a conquista de Gales pelo rei Edward I da Inglaterra.

Quase 750 anos depois, a região tem autonomia política e registra um distanciamento da Coroa que Charles III, menos popular que sua mãe, terá que se esforçar para superar.

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