Mundo

Brics pede cautela no Oriente Médio, enquanto China tenta transformar bloco em mediador da crise

Neste sábado, 12, Xi Jinping afirmou que a guerra não atende aos interesses da comunidade internacional; Declaração conjunta do grupo pediu “máxima prudência”

Xi Jinping e Narendra Modi durante a cúpula do Brics: líderes buscam aproximar China e Índia após anos de tensões nas relações bilaterais (AFP)

Xi Jinping e Narendra Modi durante a cúpula do Brics: líderes buscam aproximar China e Índia após anos de tensões nas relações bilaterais (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 12 de setembro de 2026 às 14h15.

Última atualização em 12 de setembro de 2026 às 14h26.

Priorizar nos meus resultados Google

A guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a segurança energética global dominaram o primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi, na Índia.

O encontro reúne líderes de China, Índia, Rússia e Irã em um momento de escalada das tensões na região e de aumento das preocupações sobre o fornecimento de petróleo e as principais rotas marítimas do comércio internacional.

Criado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China e ampliado nos últimos anos, o Brics busca ampliar sua influência em temas econômicos e geopolíticos.

O grupo reúne atualmente 11 países e representa cerca de 40% da economia mundial, considerando a paridade de poder de compra, e mais de um quarto do comércio global. 

O conflito no Oriente Médio entrou no centro da agenda após a intensificação dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A crise também passou a pressionar mercados de energia, com riscos sobre dois pontos estratégicos para o transporte marítimo: o Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, e o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Neste sábado, 12, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a guerra “não atende aos interesses comuns da comunidade internacional”.

++ Leia mais: Brics na Índia: por que o dólar está no centro da disputa entre os países do bloco

Segundo declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, o líder afirmou que o conflito tem causado “graves perdas aos povos da região” e defendeu que o Brics contribua para a busca por estabilidade no continente. 

Pouco depois, os países do bloco divulgaram uma declaração conjunta pedindo “máxima prudência” e que sejam evitadas ações capazes de agravar ainda mais a guerra.

O documento também condenou ataques contra infraestrutura civil e instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas internacionais.

Energia e petróleo entram no centro das discussões

A preocupação econômica por trás da crise está ligada ao papel do Oriente Médio no mercado global de energia. O Estreito de Ormuz, em particular, é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás, enquanto o Bab el-Mandeb é estratégico para navios que conectam a Ásia e a Europa.

A escalada do conflito ocorre em um momento em que o bloqueio ou a ameaça às rotas marítimas já começa a pressionar os preços do petróleo. Nesta semana, o barril voltou a ultrapassar o patamar simbólico de US$ 100, segundo agências internacionais.

A Índia, uma das maiores consumidoras de energia do mundo, também é peça-chave nesse contexto. O país manteve a compra de petróleo russo, mesmo diante de pressões ocidentais, enquanto busca garantir segurança energética para sua economia.

O presidente russo, Vladimir Putin, participa da cúpula em Nova Délhi e foi recebido pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, também usou o encontro para defender uma posição contrária à presença dos Estados Unidos na região. Segundo ele, os países do Oriente Médio devem ser responsáveis pela própria segurança.

“Não precisamos de um policial na região: a integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a compõem”, afirmou Pezeshkian.

China tenta fortalecer influência dentro do Brics

Além da guerra, a cúpula também funciona como uma demonstração da tentativa da China de ampliar o papel do Brics como espaço de articulação entre países emergentes.

Xi Jinping afirmou que os integrantes do grupo devem rejeitar “toda forma de protecionismo” e defender o sistema comercial multilateral, com a Organização Mundial do Comércio como centro das negociações.

A presença do líder chinês em Nova Délhi também tem peso simbólico. Foi a primeira viagem de Xi à Índia desde 2019, após anos de tensão entre os dois países, especialmente depois do confronto militar na fronteira do Himalaia em 2020.

Xi e Modi realizaram uma reunião bilateral durante a cúpula, em um movimento interpretado como tentativa de reaproximação diplomática.

Apesar da busca por uma posição comum, as diferenças internas do Brics continuam sendo um desafio para o bloco.

A declaração divulgada evitou citar diretamente os países envolvidos no conflito, refletindo a necessidade de conciliar interesses de integrantes com posições distintas, como Irã, Emirados Árabes Unidos, Índia e China.

Na abertura do encontro, Modi defendeu que o Brics tenha uma atuação baseada em maior participação dos países emergentes nas decisões globais. “Cada país deve ter sua voz e sua parte”, afirmou o primeiro-ministro indiano.

O Brasil é representado na cúpula pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que lidera a delegação brasileira em Nova Délhi. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro.

Acompanhe tudo sobre:BricsDiplomaciarelações governamentaisÍndiaChinaEstados Unidos (EUA)GuerrasOriente Médio

Mais de Mundo

O que se sabe sobre o terremoto do Panamá

Suprema Corte da Argentina suspende decreto de Milei que permitia venda de terras a estrangeiros

Netanyahu convida Flávio Bolsonaro para visita em Israel

EUA apreendem sete domínios ligados a hackers chineses; entenda