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Brasileiro que tentou matar Kirchner "não tinha nada a perder", diz amigo do criminoso

"Era o garoto com quem todo mundo fazia bullying", diz o amigo de Sabag Montiel à televisão pública argentina

O sobrenome do entrevistado não foi publicado pelos jornais argentinos (C5N/Captura de tela/Reprodução)

O sobrenome do entrevistado não foi publicado pelos jornais argentinos (C5N/Captura de tela/Reprodução)

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Luiza Vilela

2 de setembro de 2022, 14h27

Um amigo do brasileiro de 35 anos que tentou tirar a vida de Cristina Kirchner na última quinta-feira, 1, deu entrevista a jornais argentinos nesta sexta-feira, 2. Ele comentou que Fernando Andrés Sabag Montiel sempre sofreu bullying e que o atentado "era de se esperar, porque ele já não tinha mais nada a perder".

"Eu o conheço ele desde 2004. Estávamos sempre juntos, éramos parte de uma subcultura urbana. Ele sempre tinha um cantil na mão, agitava o grupo, mas sempre aparecia machucado. Era o garoto com quem todo mundo fazia bullying", diz o amigo Mário à televisão pública argentina, que não teve sobrenome divulgado.

"Tem várias coisas se passando na minha cabeça agora, mas posso dizer que ele sempre foi um marginalizado nos grupos, então era de se esperar. Não sei se nesse nível, mas era de se esperar. Quanto mais repressão, mais revolução, ele já não tinha mais nada a perder", completou Mário.

Em entrevista ao jornal La Nación, o homem disse acreditar, inclusive, que Sabag Montiel teria "preparado" o ataque. "Conectando os pontos, acho que ele estava se preparando para esse momento. Ele sabia que ia passar na TV e sabia que ia ser preso, não tenho dúvidas disso", destacou.

A última vez que Mário havia visto Sabag Montiel teria sido 10 meses atrás, quando o amigo foi à cidade comprar uma arma. "Não sei dizer se é a mesma que ele usou ontem a noite", completou.

O perfil de Sabag Montiel

De acordo com Mário, durante entrevista à TV, Sabag Montiel era um tipo de homem solitário, muito dependente da falecida mãe. Mário destacou, ainda, que o criminoso inventava histórias para chamar a atenção. "Ele queria ser reconhecido", contou.

Quando questionado sobre o atentado à Kirchner, Mário destacou que ainda não conseguia acreditar. "Tenho muita pena, fico triste, mas quando se é um adulto, você precisa arcar com as suas decisões. Não acho que essa decisão tenha vindo só dele, mas de tantos abusos que ele sofreu, ele explodiu", finalizou.

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