Brasileiro diretor da ONU sai do cargo após acusação de assédio

Queixa de assédio sexual foi apresentada contra Loures em novembro de 2016, mas um inquérito não encontrou sustentação para ela e o caso foi encerrado

Genebra – O vice-diretor da agência de combate ao HIV e à Aids da Organização das Nações Unidas (ONU) não pleiteará um novo mandato no cargo, mas não é sensato associar sua saída a uma alegação de assédio sexual que se mostrou infundada, disse um porta-voz nesta sexta-feira.

A saída de Luiz Loures é a segunda de um funcionário de alto escalão da ONU em igual número de dias — Justin Forsyth, vice-diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), renunciou dizendo que não quer que a cobertura de seus erros passados prejudique a entidade.

Quarenta alegações de exploração e abuso sexuais foram feitas durante os últimos três meses de 2017 contra missões pacificadoras, agências, fundos e programas da ONU, além de parceiros de implantação, segundo informou a ONU na quinta-feira.

Uma queixa formal de assédio sexual foi apresentada contra Loures em novembro de 2016, mas um inquérito não encontrou sustentação para ela e o caso foi encerrado, informou a Unaids neste mês.

“A investigação independente feita pela divisão interna de serviços de supervisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou claramente que o caso era infundado e recomendou que o caso fosse encerrado”, disse o porta-voz Mahesh Mahalingam.

Loures, de 61 anos, teve uma carreira longa e distinta de quatro décadas de combate à Aids, incluindo 22 anos na Unaids, disse Mahalingam em um briefing à imprensa em Genebra.

“Ele sente claramente que é hora de fazer outra coisa”.

Mahalingam disse não fazer sentido ligar a saída de Loures às alegações de assédio, mas que o diretor-executivo da Unaids, Michel Sidibe, aceitou a decisão do brasileiro de não buscar a renovação de seu mandato, que termina em março.

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