Brasileira vacinada em Londres no mesmo dia que a rainha fala em esperança

Profissionais de saúde brasileiros fazem parte do grupo prioritário, ao lado dos idosos, e recebem o imunizante contra a covid-19

O Reino Unido foi o primeiro país ocidental a ter uma campanha nacional de imunização contra a covid-19. Já vacinou cerca de 2,7 milhões de pessoas em pouco mais de um mês. A aplicação está sendo feita de forma escalonada, por grupos prioritários, como idosos e profissionais de saúde.

Entre estes profissionais estão muitos brasileiros, que há anos trabalham no sistema de saúde britânico. Mas uma brasileira teve uma coincidência ainda mais especial: ser vacinada no mesmo dia que a rainha Elizabeth II, e seu marido, o príncipe Philippe, em 9 de janeiro. Os membros da realeza não furaram fila e cumpriram o mesmo calendário das demais pessoas que vivem no Reino Unido.

A paranaense, natural de Nova Londrina, Ana Paula do Carmo Oliveira, de 46 anos, está em Londres há 15 anos, e trabalha como supervisora na higienização e desinfecção no The London Clinic, um hospital privado no centro da capital britânica. Por estar na linha de frente no combate à covid-19, entrou no grupo prioritário da vacinação.

“Posso te dizer que chorei de alívio quando recebi a vacina. Era uma dose de esperança que eles estavam aplicando em mim, um elixir de vida. Depois de longos meses, trabalhando horas exaustivas e tentando manter o equilíbrio emocional, aquela vacina era como subir ao pódio e receber sua medalha de recompensa. Agradeço aos cientistas mais do que tudo”, enfatiza.

Ela conta que tomou a vacina da Pfizer e que não sofreu nenhum efeito colateral. “O braço ficou meio dolorido e dormi bastante no dia seguinte, mas nada além disso. Até hoje não virei jacaré, acho que já é um ponto positivo, né?”, brinca.

Este momento de esperança em nada lembra as horas de pressão que ela passou no auge da pandemia. Como a equipe que ela coordena é responsável por fazer a higienização do hospital, o cuidado era ainda mais redobrado. Os turnos de trabalho chegaram a 12 horas.

“Confesso que foi muito assustador, pois esse novo vírus trazia o medo do desconhecido. Me lembrava dos noticiários da China, aquelas cenas aterrorizantes, e dali eu preparava meu time para entrar em campo. Tínhamos que nos vestir com roupas especiais, máscaras, óculos. Podíamos nos contaminar com um simples passar de mão no rosto, e sabíamos que corríamos riscos ao retornarmos para as nossas casas”.

Ana Paula do Carmo Oliveira, profissional de saúde no Reino Unido.

Os mesmos riscos também foram enfrentados por outra brasileira, Amanda Coutinho, de 40 anos, que desde de 2006 vive em Londres. Atualmente faz um estágio de enfermagem no Great Ormond Street Hospital, voltado ao atendimento de crianças.

Amanda Coutinho chegou a trabalhar 12 horas seguidas no auge da pandemia.

Amanda Coutinho chegou a trabalhar 12 horas seguidas no auge da pandemia. (Acervo pessoal./Acervo pessoal)

“Em nenhum momento senti medo em estar ali, pois estava protegida com um bom equipamento. A vocação grita mais alto, você simplesmente faz o que tem que ser feito, mas a sensação era de estar em guerra”, diz.

Amanda recebeu a primeira dose da vacina na última segunda-feira, 11. “Senti uma dorzinha leve no braço e apenas isso. No outro dia fui trabalhar. A vacina salva vidas e cada um de nós é responsável pela nossa própria vida e saúde”, afirma.

As duas brasileiras já fazem planos para quando receberem as duas doses da vacina, e ficarem imunes ao coronavírus: visitar a família, que está no Brasil.

“A ciência está nos devolvendo a esperança e a possibilidade de voltarmos a nos abraçar e celebrar a vida. É só o que desejo agora, poder rever minha família, e fazer o que nós brasileiros sabemos de melhor, festejar, abraçar, beijar, dançar”, diz Ana Paula.

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