Atentados contra a polícia deixam seis mortos no Egito

Os ataques contra as forças de ordem aumentaram no Egito desde que o exército destituiu e prendeu em 3 de julho de 2013 o presidente islamita Mohamed Mursi

Ao menos seis pessoas morreram nesta sexta-feira em quatro atentados contra a polícia no Cairo, em plena campanha de repressão aos islamitas, e na véspera do terceiro aniversário da revolta que derrubou Hosni Mubarak do poder.

Os ataques contra as forças de ordem aumentaram no Egito desde que o exército destituiu e prendeu em 3 de julho de 2013 o presidente islamita Mohamed Mursi, único eleito democraticamente no país. Desde então, tem reprimido violentamente toda manifestação de seus partidários.

Pouco antes do amanhecer, um homem esperou o momento em que os policiais retiraram uma barreira que bloqueava o acesso ao quartel-general, no centro da capital, para entrar com seu veículo cheio de explosivos contra o portão de entrada, segundo um policial que ficou ferido no incidente.

A explosão provocou uma profunda cratera em frente ao edifício da polícia, cuja fachada ficou praticamente destruída, assim como a do Museu de Artes islâmicas, onde várias obras de artes foram destruídas, segundo o Ministério das Antiguidades.

O atentado suicida deixou quatro mortos e mais de 70 feridos, segundo o Ministério da Saúde.

Três horas depois, uma bomba de menor potência explodiu durante a passagem de um veículo da polícia no centro da capital, matando um policial e ferindo outros quatro, indicou o Ministério da Saúde.

Uma terceira bomba explodiu uma hora depois perto de uma delegacia em uma avenida que leva às pirâmides de Gizé, sem causar mortos.

E durante a tarde, perto de um cinema no Cairo, a explosão de uma bomba de fabricação caseira provocou mais uma morte, segundo informações de um oficial da polícia.


O governo liderado pelo chefe do exército e homem forte do país, Abdel Fattah al-Sissi, reprime violentamente cada manifestação de partidários de Mursi. Mais de mil foram mortos e milhares presos, a maioria deles membros da Irmandade Muçulmana, influente confraria à qual o presidente deposto pertence.

Ao mesmo tempo, dezenas de policiais e soldados foram mortos em ataques, reivindicados por um grupo da Península do Sinai inspirado na Al-Qaeda, o Ansar Beït al-Maqdess, em represália pelo massacre dos manifestantes pró-Mursi.

Na quinta-feira, cinco policiais foram mortos em um ataque 100 km ao sul do Cairo.

O governo atribuiu os ataques à Irmandade Muçulmana, ainda que esta não tenha ligação com o grupo extremista armado.

"Nós condenamos o atendo no Cairo e reafirmamos nossa vontade de lutar pacificamente contra o golpe de Estado", imediatamente twitou uma coalizão pró-Mursi.

Dia de perigo

O Egito se prepara para celebrar no sábado o terceiro aniversário da "revolução 25 de janeiro", lançada em 2011, em meio à Primavera Árabe.

Em preparação para este dia, que se anuncia cheio de perigo, forças policiais e militares foram mobilizadas em todo o país, especialmente no centro do Cairo, onde está localizada a emblemática Praça Tahrir.

Os manifestantes pró-Mursi, liderados pela Irmandade Muçulmana, convocaram manifestações para os próximos 18 dias - a duração da revolta popular que colocou fim, em 11 de fevereiro de 2011, a três décadas de poder absoluto de Hosni Mubarak.

Mas o ministro do Interior advertiu que a polícia irá responder com "firmeza" a qualquer tentativa de "sabotar as celebrações", e pediu para que os egípcios ocupem as ruas e apoiem o governo.


Ainda nesta sexta-feira, duas pessoas morreram em manifestações pró-Mursi fora do Cairo. Uma centena de manifestantes foram presos.

Logo após o ataque contra o quartel-general da polícia, em meio a cacos de vidro, ferro e madeira, dezenas de habitantes se reuniram para denunciar a Irmandade Muçulmana. Muitos carregavam retratos do general Sissi, que também é vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, que não faz segredo de suas intenções de se candidatar à eleição presidencial, prometida para 2014.

Após a saída de Mubarak, o exército já havia tomado as rédeas do poder por 16 meses antes da eleição de Mursi. Um ano depois, milhões de egípcios exigiram sua saída, acusando-o de monopolizar o poder em favor de sua fraternidade.

Respondendo a esta "nova revolução", o exército depôs Mursi.

Desde então, Sissi e o governo têm se tornado muito populares entre os egípcios, que desejam acabar com três anos de "caos". Mas alguns intelectuais e líderes da revolta de 2011 temem um retorno aos métodos de Mubarak, com a repressão implacável dos dissidentes.

Na quinta-feira, a Anistia Internacional denunciou os "ataques sem precedentes" aos direitos humanos por parte das autoridades egípcias e "uma traição de todas as aspirações (...) da Revolução de 25 de janeiro" de 2011.

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