Ataque com faca deixa cinco mortos em celebração judaica em Nova York

Um homem esfaqueou e feriu cinco pessoas na casa de um rabino durante uma festa para celebrar o Hanukkah judaico na noite de sábado
Polícia de Nova York: casa de rabino foi invadida por homem armado com uma faca, que matou cinco pessoas (Arquivo/AFP)
Polícia de Nova York: casa de rabino foi invadida por homem armado com uma faca, que matou cinco pessoas (Arquivo/AFP)
Por AFP, EFEPublicado em 29/12/2019 10:33 | Última atualização em 29/12/2019 12:26Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Um homem esfaqueou e feriu cinco pessoas na casa de um rabino no norte de Nova York durante uma festa para celebrar o Hanukkah judaico na noite de sábado.

As vítimas, todos membros da fé judaica, foram transportados para hospitais locais - dois em estado crítico, tuitou o Conselho de Assuntos Públicos Judaicos Ortodoxos (OJPAC).

O suspeito foi preso, disse a polícia local de Ramapo em um comunicado no Facebook. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, que se dirigiu à localidade do crime, definiu o ataque como "um ato de terrorismo".

"Este é um ato de terrorismo. Acho que são terroristas domésticos. Eles estão tentando infligir medo", disse o Cuomo à imprensa.

"Eles são motivados pelo ódio. Eles estão fazendo ataques em massa. Existem terroristas em nosso país cometendo terrorismo contra outros americanos, e é assim que devemos tratar isso", afirmou ainda.

Anteriormente, ele se declarou "horrorizado com o ato desprezível e covarde", e anunciou que havia ordenado à Força Tarefa de crimes de ódio da Polícia Estadual que investigasse o caso.

"Temos uma tolerância zero ao antissemitismo em Nova York e responsabilizaremos o agressor por toda a extensão da lei", tuitou.

A CBS New York informou que um homem com um facão entrou na propriedade do rabino em Monsey, estado de Nova York, uma área com uma grande população judaica, e matou pelo menos três pessoas antes de fugir.

"Eu estava rezando pela minha vida", contou Aron Kohn, 65 anos, ao New York Times, descrevendo a faca usada pelo agressor como "do tamanho de uma vassoura".

Antissemitismo

Yossi Gestetner, cofundador do OJPAC para a região do Vale do Hudson, disse ao New York Times que uma das vítimas era filho do rabino. "A casa tinha dezenas de pessoas lá", disse Gestetner. "Era celebração do Hanukkah", acrescentou.

De acordo com o Conselho de Assuntos Públicos Judaicos Ortodoxos (OJPAC, na sigla em inglês), o agressor agiu sozinho, foi detido e não tinha passagem pela polícia.

Em Israel, o presidente Reuven Rivlin expressou seu "choque e indignação" em relação ao ataque. "A ascensão do antissemitismo não é apenas um problema judaico, e certamente não é apenas o problema do Estado de Israel", disse ele em comunicado.

"Devemos trabalhar juntos para enfrentar esse mal, que está erguendo a cabeça novamente e é uma ameaça genuína em todo o mundo".

"Israel condena veementemente as recentes manifestações de antissemitismo, incluindo o ataque violento", que ocorreu durante a celebração do feriado judaico de Hanukkah, disse o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Netanyahu declarou que Israel "cooperará de todas as maneiras possíveis" com as autoridades americanas "para derrotar" o antissemitismo, um apoio que oferece "a todos os países".

O Museu do Holocausto de Jerusalém reagiu com "profunda preocupação" ao incidente e seu presidente, Avner Shalev, considerou o ataque "um ato violento de ódio, intolerância e antissemitismo" e disse que "as cenas dos recentes ataques nos Estados Unidos não podem se tornar habituais".

A polícia americana está enfrentando uma série de ataques contra alvos judeus nos últimos anos.

Seis pessoas, incluindo dois suspeitos, foram mortas em um tiroteio em Jersey City em uma lanchonete kosher no início deste mês, o que, segundo as autoridades, é alimentada em parte pelo antissemitismo.

Após o ataque de sábado, o prefeito Bill de Blasio tuitou que conversou com amigos judeus de longa data que temem mostrar sua fé publicamente. "Não permitiremos que isso se torne o novo normal", escreveu ele. "Usaremos todas as ferramentas necessárias para impedir esses ataques de uma vez por todas", concluiu.