As Pussy Riot, contrárias ao autoritarismo de Putin

Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova, libertadas nesta segunda, são integrantes do Pussy Riot, que manifestaram oposição ao autoritarismo de Vladimir Putin

Moscou – Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova, libertadas nesta segunda-feira em virtude de uma anistia, são duas das integrantes do grupo Pussy Riot, que manifestaram sua oposição ao autoritarismo do presidente russo Vladimir Putin em diversas performances, como a oração punk que as levou à prisão.

As três integrantes do grupo Pussy Riot, Alyokhina, Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich, foram acusadas de vandalismo e incitação ao ódio religioso por terem entoado em fevereiro de 2012, encapuzadas e acompanhadas por suas guitarras, uma oração punk contra Putin, na catedral de Cristo Salvador de Moscou.

Até aquele momento, poucos haviam ouvido falar delas.

Mostrando-se combativa após deixar a prisão, Alyokhina criticou a lei de anistia que permitiu sua libertação, aprovada na quarta-feira passada pelo Parlamento russo e que prevê anistiar, entre outras, as pessoas condenadas por vandalismo e as mães de menores.

“Não acredito que esta anistia seja um gesto de humanismo, é uma operação de relações públicas”, declarou a jovem.

Samutsevich, por sua vez, já havia sido colocada em liberdade condicional em 2012, poucos meses depois de ser condenada. A justiça considerou que ela havia sido interceptada pelos guardas da catedral e, por isso, não participou da ação.

Tolokonnikova, que forma parte, junto com seu marido Piotr Verzilov, do grupo de protesto Voina, parece ser a mais determinada das Pussy Riot.

Foi vista em audiências sorrindo de forma irônica com uma camiseta na qual estava escrito o famoso “Não passarão!”, lançado em uma de suas mais famosas intervenções pela comunista Dolores Ibárruri, “La Pasionaria”, em 1936, antes de se converter no lema dos republicanos espanhóis.


Também participou de performances provocantes, como ter desenhado em 2011 um pênis gigante em frente à sede do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB) em uma ponte de São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia.

Em 2008, Tolokonnikova, grávida de nove meses, posou nua e participou de uma sessão de sexo coletivo em um museu de Moscou, junto com seu marido, para protestar contra a eleição do presidente Dimitri Medvedev, apadrinhado por Putin. A performance foi chamada de “Nascimento do urso herdeiro”, em referência ao futuro presidente (“Medved” significa “urso” em russo).

A jovem, uma morena de olhos escuros, participou de diversas manifestações contra o regime de Putin e a favor dos direitos dos homossexuais.

Nasceu em Norilsk, uma cidade industrial do grande norte russo, e estudou filosofia na prestigiada universidade estatal de Moscou. Desde pequena afirma que se sente atraída pelas situações extremas.

Chamou de Hera sua filha de cinco anos, mesmo nome da filha de Zeus, para que saiba “se defender contra seus inimigos”, como fazia esta deusa da mitologia grega, segundo contam seus amigos.

Maria Alyokhina, uma mulher magra de cabelo castanho claro, é uma ativa militante ecologista. Oriunda de Moscou, se tornou conhecida por suas ações de defesa do lago Baikal (na Sibéria) e contra a destruição da floresta de Jimki, nos subúrbios da capital, para construir uma estrada.

Alyokhina, de religião ortodoxa, escreve poemas e organiza regularmente, junto com outras voluntárias, atividades criativas para as crianças internadas em um hospital psiquiátrico de Moscou.

Estuda atualmente na Escola de Jornalismo e Literatura de Moscou e cria sozinha seu filho de seis anos.

A Rússia libertou duas integrantes do grupo Pussy Riot. As cantoras estavam presas por vandalismo e incitação ao ódio religioso.

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