Artemis I: Nasa volta à Lua com o foguete mais potente do mundo

Após dois cancelamentos de último momento há alguns meses, a terceira tentativa teve sucesso
SLS: foguete lunar não tripulado decola da plataforma de lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy da Nasa em Cabo Canaveral, Flórida. (AFP/AFP)
SLS: foguete lunar não tripulado decola da plataforma de lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy da Nasa em Cabo Canaveral, Flórida. (AFP/AFP)
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AFPPublicado em 16/11/2022 às 07:17.

O foguete SLS (Space Launch System, Sistema de Lançamento Espacial) da Nasa, o mais potente do mundo, decolou nesta quarta-feira (16) da Flórida com destino à Lua, na primeira missão sem tripulação do programa Artemis da Agência Espacial dos Estados Unidos.

O foguete subiu com uma gigantesca bola de fogo às 1h47 locais (3h47 de Brasília) do Centro Espacial Kennedy.

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Após dois cancelamentos de último momento há alguns meses por problemas técnicos e após as passagens de dois furacões que adiaram o lançamento por várias semanas, a terceira tentativa teve sucesso.

A missão Artemis 1 deve durar 25 dias, com várias etapas delicadas.

Cinquenta anos após a última missão Apollo, este voo de teste não tripulado, que sobrevoará a Lua sem pousar em sua superfície, busca confirmar se o veículo é seguro para transportar uma futura tripulação.

O lançamento representa um grande início do programa Artemis, que pretende levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra à Lua.

O objetivo é estabelecer uma presença humana duradoura na Lua, como preparação para uma viagem à Marte.

"Este foguete custou muito suor e lágrimas", declarou na terça-feira o diretor da Nasa, Bill Nelson. "Nos permitirá voar até a Lua e voltar durante décadas", afirmou.

Missão de 25 dias

Assim como nas duas tentativas frustradas anteriores de decolagem, a Nasa teve dificuldades para abastecer o foguete com combustível criogênico (mais de 2,7 milhões de litros de hidrogênio e oxigênio líquidos).

Durante a tarde foi detectado um vazamento de combustível de hidrogênio, altamente inflamável, na base do foguete, o que forçou o envio de uma equipe de técnicos à plataforma de lançamento para fazer reparos, o que interrompeu os preparativos durante quase uma hora e provocou um pequeno atraso no programa original de lançamento.

A primeira tentativa de decolagem, há alguns meses, foi cancelada no último momento por um sensor defeituoso, e a segunda por um vazamento de hidrogênio.

Depois dos problemas técnicos, dois furacões - Ian e Nicole - provocaram o adiamento por várias semanas.

Nesta quarta-feira, imediatamente após o lançamento, as equipes do centro de controle de Houston (Texas) assumiram o controle. Após dois minutos, os dois propulsores brancos caíram no Atlântico.

Após oito minutos, a fase principal se separou do foguete. Quase hora e meia após a decolagem, um último impulso da fase superior colocará a cápsula Orion a caminho da Lua, onde chegará em alguns dias.

A cápsula permanecerá em uma órbita distante, por quase uma semana, aventurando-se por até 64.000 quilômetros no lado oculto da Lua, um recorde para uma cápsula habitável.

Depois, a Orion iniciará o retorno à Terra e testará seu escudo térmico, o maior já construído. Ao atravessar a atmosfera, a cápsula terá que suportar temperaturas que alcançam metade da temperatura da superfície do Sol.

O pouso no Oceano Pacífico está previsto para 11 de dezembro.

Nova era

Depois do foguete Saturn V das missões Apollo e após os ônibus espaciais, o SLS inaugura uma nova era de exploração humana, desta vez do espaço profundo.

Em 2024, Artemis 2 levará os astronautas à Lua, mas sem pousar no satélite. Esta honra será reservada para a tripulação do Artemis 3, provavelmente em 2025.

A Nasa planeja ter uma missão anual para construir uma estação espacial em órbita ao redor da Lula e uma base em seu polo sul.

O objetivo é testar novos equipamentos como trajes, veículos, uma minicentral elétrica ou testar o uso de água gelada no local. Tudo isto com o objetivo de estabelecer uma presença humana duradoura.

O experimento tem a meta de preparar um voo tripulado para Marte, talvez no fim da década de 2030. Esta viagem, de uma escala completamente diferente, demoraria pelo menos dois anos para ser concluída.