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Após tentativa de golpe, Dina Boluarte se torna primeira presidente mulher do Peru

Boluarte havia sido nomeada como ministra do Desenvolvimento e Inclusão Social do antigo governo, cargo ao qual renunciou no mês passado, e assumiu a Presidência após a prisão de Pedro Castillo

Dina Boluarte: a nova presidente do Peru (Lauren DeCicca/Getty Images)

Dina Boluarte: a nova presidente do Peru (Lauren DeCicca/Getty Images)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

7 de dezembro de 2022, 18h36

Assim que foi determinado o impeachment do ex-presidente Pedro Castillo, o Congresso do Peru convocou Dina Ercilia Boluarte — então vice-presidente — para assumir a Presidência. Após a rápida cerimônia de posse, Boluarte entra para a história como a primeira mulher a ocupar o cargo no país.

A movimentação no poder peruano aconteceu após o impeachment e prisão de Castillo, ocorrida logo após o ex-presidente anunciar uma tentativa de golpe de Estado. Em anúncio televisionado, Castillo afirmou que o Peru passaria por um "governo de exceção" no qual o Congresso seria dissolvido.

Boluarte fez o juramento no Congresso durante a posse, acompanhada do presidente da Câmara, José Williams Zapata, responsável por passar a faixa da Presidência a ela.

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"Antes de política, sou cidadã e mãe peruana. Tenho conhecimento da minha alta responsabilidade e, atendendo a ela, por respeito de milhões de mães peruanas que procuraram sustento para seus filhos, elas são exemplos de coragem. Todos sabemos, foi produzido um golpe de Estado, promovido pelo senhor Pedro Castillo", disse antes de assumir a Presidência.

Assim que soube da tentativa de golpe, ela veio a público por meio das redes sociais para se manifestar contra a ação.

"Sou contra a decisão de Pedro Castillo de perpetrar a quebra da ordem constitucional com o fechamento do Congresso. Se trata de um golpe que agrava a crise política e institucional que a sociedade peruana terá de superar com estrito cumprimento da lei", escreveu ela.

Quem é Dina Boluarte?

Nascida em Chalhuanca, Dina formou-se em direito. Em 2016, ela se candidatou à Câmara de Surquillo e, dois anos mais tarde, tentou o cargo de prefeita de Lima — capital do país. Em 2020, ela também tentou uma cadeira no Congresso, mas, assim como as demais tentativas, não foi eleita.

Foi só em julho de 2021, pouco depois de assumir o poder, que Pedro Castillo convocou Dina Boluarte para ser ministra do Desenvolvimento e Inclusão Social em seu governo. Ela aceitou o cargo, mas o renunciou em novembro deste ano.

Agora empossada como presidente do Peru, Boluarte também se envolveu em algumas situações delicadas para a esquerda peruana. Em janeiro, foi expulsa do partido ao qual fazia parte, o Perú Libre, após insinuar que não compartilhava da mesma ideologia do partido de extrema-esquerda. Nesta segunda-feira, 5, teve um processo de impeachment arquivado por falta de provas.

O impeachment seria motivado por uma infração constitucional da lei peruana, na qual Boluarte teria exercido um cargo em uma empresa privada enquanto já exercia um cargo público.

Ela assume a Presidência do Peru em um momento conturbado da política do país, que teve seis lideranças desde 2018.

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