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Após sucesso na Austrália, Reino Unido cogita banir redes sociais para menores

Tópico de segurança online atrai a atenção de governos do mundo todo – a Austrália foi o primeiro país a implementar medida histórica, e seu sucesso inspira outros

Redes sociais: plataformas evoluem com inteligência artificial e apps de nicho ganham força (Matt Cardy/Getty Images)

Redes sociais: plataformas evoluem com inteligência artificial e apps de nicho ganham força (Matt Cardy/Getty Images)

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h01.

O Reino Unido está cogitando, segundo falas do premiê Keir Starmer na terça-feira, 20, implementar um veto ao acesso às redes sociais para menores de idade, seguindo exemplo bem-sucedido implementado na Austrália em dezembro.

Starmer afirmou que o governo estaria preparado para tomar ações robustas, um dia após ter anunciado que as autoridades investigariam se características como o “scroll infinito” presente principalmente em aplicativos que seguem o formato de vídeos curtos como TikTok e Instagram e a idade com a qual crianças podem acessar essas plataformas deveriam ser restritas, e como tais medidas poderiam ser impostas.

"Este é um assunto extremamente complexo – por isso é importante que seja devidamente analisado", disse Starmer na plataforma Substack.

Ministros britânicos devem visitar a Austrália em breve para analisar como, exatamente, o país tomou a medida. A secretária da tecnologia britânica, Liz Kendall, disse à mídia que o Reino Unido estaria considerando implementar o veto para a mesma faixa etária: menores de 16 anos.

O Reino Unido olha para a Austrália como inspiração tanto pela medida quanto pela resposta que ela teve. Kendall, falando para o parlamento, disse que enquanto alguns veem o veto como um caminho direto e mais claro para a proteção das crianças, outros temem que a medida pode concentrar conteúdos considerados prejudiciais para outros lugares mais obscuros da internet, e levar crianças junto.

Além disso, também poderia privar os jovens dos lados positivos de redes sociais, como interação e integração. Esses pontos foram centrais nos debates subsequentes à implementação da medida na Austrália, e continuam sendo focais.

Mesmo assim, os riscos de expor crianças às redes sociais de uma idade tão jovem e os impactos que essas teriam na saúde mental dos jovens é um tema cada vez mais importante para governos ao redor do mundo.

O rápido desenvolvimento e implementação da Inteligência Artificial, por exemplo exacerbou essas preocupações, com a ferramenta de IA Grok, presente o X de Elon Musk, sendo foco de controvérsias pelo mundo ao permitir que usuários gerem com facilidade imagens sexualizadas de outros usuários da plataforma, inclusive de menores de idade.

Caminhos mais detalhados

Em relação às IAs generativas, como o Grok, o Reino Unido e diversos outros países já planejam vetos diretos e absolutos, e trabalham nos próximos passos para regular a atividade de menores de idade na internet. Além disso, em uma proposta mais matizada, o governo adiciona que está considerando remover características que podem induzir o vício às redes.

Starmer afirmou que a infância não deveria significar julgamento por parte de estranhos ou pressão para ter um bom desempenho em busca de curtidas, acrescentando que "para muitos hoje em dia, significa ser arrastado para um mundo de scroll infinito, ansiedade e comparação".

"Trabalharemos com especialistas para identificar as medidas mais eficazes que podemos tomar para fazer mais", disse ele, reiterando que "nenhuma opção está descartada".

Na Austrália, apesar de o país ter considerado a medida um sucesso, pontos de contestação surgiram pelo veto ser absoluto e sem nenhuma nuance. Particularmente, a demografia afetada argumenta que, apesar de todos os males e riscos do ambiente online, existem também importantes vantagens e benefícios que podem conectar e educar a próxima geração.

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