Delcy Rodriguez, vice presidente da Venezuela (Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 18 de abril de 2026 às 08h01.
Mais de 5.000 migrantes venezuelanos retornaram ao seu país durante os primeiros 100 dias do governo de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira.
"Este deslocamento logístico e humano garante o transporte seguro e gratuito de nossos cidadãos, reafirmando o compromisso do Estado venezuelano com a proteção de seu povo além de suas fronteiras", declarou o Ministério da Comunicação.
O órgão indicou ainda que a Grande Missão Retorno à Pátria, programa governamental que facilita e gerencia o retorno de venezuelanos, permanece "ativa como resposta direta às necessidades daqueles que, após enfrentarem xenofobia e vulnerabilidade no exterior, decidem retornar à sua pátria".
O programa também "coordena políticas de inserção profissional, saúde e moradia para garantir um retorno integral e digno", segundo comunicado oficial.
O ministério acrescentou que o próximo domingo marca o início da "peregrinação pela paz" convocada por Rodríguez para exigir o fim das sanções, que, segundo o governo venezuelano, permitirão "otimizar os recursos de programas sociais", como o programa Retorno à Pátria, e "fortalecer a proteção socioprodutiva da nação".
Na última quarta-feira, 316 migrantes chegaram à Venezuela em um voo de repatriação do Arizona, o 133º desde o acordo.
Após a prisão de Maduro, o governo venezuelano, liderado por Rodríguez, fortaleceu os laços com os EUA, retomando as relações após uma interrupção de sete anos e estabelecendo uma parceria energética de longo prazo, enquanto Washington flexibilizou as sanções impostas ao petróleo, ouro e sistema financeiro público do país sul-americano.
A Venezuela vive nas últimas décadas uma verdadeira diáspora. Desde 2015, a crise humanitária venezuelana já levou quase 8 milhões de pessoas a deixar o país, em busca de proteção e melhores condições de vida, segundo dados da ONU.
A Colômbia absorveu a maior parte desse fluxo, totalizando mais de 2,8 milhões de migrantes, mas o Brasil também foi diretamente impactado.
Nos Estados Unidos, a população de venezuelanos cresceu de 95 mil para 1,2 milhão de 2000 a 2024, segundo o Pew Research Center. Desde 2019, esse crescimento aumentou em intensidade, numa alta de 119% ante uma média de 12% nos migrantes hispânicos no país. Quase 80% dos venezuelanos nos EUA nasceram fora do país norte-americano, o que mostra a característica de uma migração recente.
Com EFE