Donald Trump: presidente dos Estados Unidos (Kent Nishimura/AFP)
Repórter
Publicado em 10 de abril de 2026 às 14h41.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 10, que o Irã “não tem cartas” nas negociações com a Casa Branca, ressaltando que a principal vantagem de Teerã seria o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas, além de uma extorsão de curto prazo do mundo ao usar vias navegáveis internacionais. A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar", disse Trump, em uma publicação na rede social Truth Social.
Em outra postagem, o presidente declarou que "os iranianos são melhores em lidar com a mídia de notícias falsas e com 'relações públicas' do que em lutar".
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta após cessar-fogo temporário. (GettyImages)
Nesta quinta-feira, 9, Trump citou relatos sobre cobranças para embarcações que transitam pela região e fez criticas à abordagem do governo de Teerã na região.
"Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz", disse o presidente americano. Na sequência, acrescentou: "é melhor parar agora". As declarações indicam preocupação com a circulação marítima em uma das principais rotas energéticas do mundo.
"O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, em sua liberação da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. Isso não é o acordo que temos!", afirmou.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito. A região mantém papel central no abastecimento energético internacional.
A situação também envolveu aliados. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, discutiu o tema com Trump. Segundo relatos, ambos abordaram a necessidade "de um plano prático para fazer o transporte marítimo voltar a fluir".
Mesmo com o aumento das tensões, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã permanece em vigor, ainda que cercado por incertezas operacionais e diplomáticas.
Estreito de Ormuz: entenda por que a reabertura aos navios deve demorar
No Líbano, o cenário segue instável. Não há cessar-fogo em vigor, e forças de Israel continuam posicionadas em grande parte do sul do território libanês. Autoridades locais informaram que ataques registrados na quarta-feira resultaram em mais de 300 mortos e cerca de mil feridos.
Os confrontos continuaram durante a noite, com novos registros de ataques entre Israel e o Hezbollah, grupo político e militar atuante na região.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "não há cessar-fogo no Líbano". A declaração ocorreu horas após indicar a possibilidade de iniciar negociações diretas com o governo libanês.
Em outro ponto da região, surgiram relatos de um ataque com drones a uma base da guarda nacional no Kuwait. Até o momento, não há confirmação sobre a autoria da ação.