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América Latina não deve contar com indústria para se libertar da China

Na última década, as exportações da região para a China se multiplicaram por 18, a maior taxa verificada nesse tipo de transação

Washington - A América Latina não pode esperar que seu setor industrial ajude a região a se libertar da crescente dependência comercial com a China, advertem especialistas.

Na última década, as exportações da região para a China se multiplicaram por 18: de 5 bilhões de dólares em 2000 para 91 bilhões em 2010, um crescimento anual de 34%, em média.

É a taxa de crescimento mais alta de uma região em relação à China em todo o mundo, destaca Mauricio Cárdenas, diretor do programa sobre a América Latina no Instituto Brookings de Washington.

"É essencialmente uma matéria-prima por país, o que é bastante surpreendente", explicou Cárdenas em um recente debate sobre as perspectivas da região e China a médio prazo.

A Argentina com a soja, o Chile com o cobre, o Brasil com outros minérios marcam a tendência, mas alguns especialistas afirmam que a partir de 2015, quando a China alcançar cerca de 15 mil dólares per capita, esta sede de produtos primários começará a reduzir.

"A tão louvada 'nova classe média' no Brasil é um resultado direto da demanda de matérias-primas na China", chegou a indicar esta semana uma nota de análise da empresa Nomura.

"A região tem que estar preparada para buscar fontes alternativas de crescimento e comércio", já que os países industrializados não parecem prontos a curto prazo a retomar o ritmo desenfreado do gigante asiático, indica um relatório assinado por Mauricio Cárdenas e Adriana Kluger.

Mas a importância do setor manufatureiro industrial no Brasil caiu 3 pontos percentuais em relação ao PIB, de 16% para 13%, nos últimos cinco anos. A média da queda em outros países, como a Colômbia, é de 2%.

A região não está aproveitando a força das matérias-primas para reinvestir, mas está seguindo uma tendência inquietante já apresentada pelos países industriais há duas décadas: instalar suas próprias fábricas na China, como já o fez a gigante brasileira da aeronáutica Embraer.

"Frente à China, à Índia e ao resto da Ásia, não acredito que a região tenha uma oportunidade de se converter em um grande exportador de produtos manufaturados. Acredito que esta janela se fechou com poucas exceções", estima Mauricio Mesquita, economista especialista em temas comerciais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"A tendência a longo prazo para criar empregos no Brasil não será o setor manufatureiro. O único lugar é o setor de serviços", afirma Gary Hufbauer, especialista do Instituto Peterson de Economia Internacional.

A tentação é seguir investindo no setor de matérias-primas, adverte Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial e chefe do projeto de redução da pobreza.

"É mais fácil ser mais competitivo em alta tecnologia na área de recursos naturais do que no setor manufatureiro", explicou Canuto em outro debate sobre a América Latina e a China no centro de análises Diálogo Interamericano.

A Índia apostou no setor de serviços para escapar da implacável concorrência industrial de seu vizinho, mas neste setor "a má notícia é que precisamos ser mais competitivos", acrescentou Canuto, em referência à América Latina.

A América Latina precisa aproveitar o atual "boom" de receitas, de altas taxas de crescimento e de política fiscal prudente para estimular o investimento em pesquisa, tecnologia e educação, e completar aquelas áreas de infraestrutura que precisam de investimentos, sugerem Cárdenas e Kluger.

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