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Acordo UE-Mercosul leva governo francês a enfrentar moções de censura

Agricultores franceses pressionam governo contra tratado comercial

Protestos na França: Tratores são vistos estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordination Rurale (CR) contra o acordo UE e Mercosul (Thomas SAMSON/AFP)

Protestos na França: Tratores são vistos estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordination Rurale (CR) contra o acordo UE e Mercosul (Thomas SAMSON/AFP)

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 11h09.

O governo da França enfrenta nesta quarta-feira,1 4, duas moções de censura apresentadas pela esquerda e pela direita em reação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da oposição formal do país à assinatura do tratado.

No sábado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve firmar o acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, criando uma zona de livre-comércio que reunirá cerca de 700 milhões de consumidores. O texto, porém, enfrenta forte resistência de agricultores franceses, que temem o impacto da entrada de produtos agrícolas sul-americanos no mercado europeu.

A moção apresentada pela direita, segundo o deputado Sébastien Chenu, busca “apoiar os agricultores e denunciar a hipocrisia e a incompetência do governo” na condução do tema. Os partidos favoráveis à censura afirmam que Paris poderia ter recorrido à Justiça europeia ou adotado medidas de pressão orçamentária contra a União Europeia.

As iniciativas têm poucas chances de aprovação. Socialistas e o partido conservador, Os Republicanos, anunciaram que não apoiarão as moções, impedindo a formação de maioria na Assembleia Nacional. Para esses grupos, a oposição do governo francês ao acordo já foi explicitada.

As moções ocorrem em meio a um momento de fragilidade do governo do presidente Emmanuel Macron, pressionado por protestos agrícolas e pela tramitação do orçamento de 2026. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu uma “lei de emergência agrícola” para conter a mobilização do setor.

*Com informações da AFP

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