A eleição também tem potencial para influenciar o cenário político sul-americano (Rodrigo Buendia/AFP)
Publicado em 21 de junho de 2026 às 20h04.
Última atualização em 21 de junho de 2026 às 21h09.
O advogado e empresário Abelardo De la Espriella venceu neste domingo, 21, o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, segundo a apuração preliminar dos votos.
O candidato de direita superou o adversário de esquerda Iván Cepeda e, caso o resultado seja confirmado oficialmente, sucederá Gustavo Petro na presidência do país.
Em uma votação marcada pela polarização extrema, o advogado De la Espriella, em sua primeira experiência na política, venceu por 49,6% o senador Cepeda, que marcou 48,6%. O adversário é aliado de Gustavo Petro, primeiro presidente de um partido de esquerda da Colômbia. Até o momento, 99,5% das urnas foram apuradas.
Para Mauricio Moura, presidente do Instituto Ideia, essa eleição foi como um referendo do governo de Gustavo Petro. "Houve uma melhora na aprovação dele durante a campanha, mas essa melhora não foi suficiente para que o candidato governista vencesse a eleição", diz.
Para o especialista, uma coisa é fato: a Colômbia sai desse processo extremamente dividida e passa a integrar o contexto internacional de opinião pública polarizada. Provavelmente, o governo de Espriella já começará com uma rejeição elevada e um teto de popularidade relativamente baixo. "Acredito, porém, que esta foi mais uma eleição em que a oposição se beneficiou do desgaste do governo".
De la Espriella toma posse em 7 de agosto e colocará em ação as promessas de campanha, que incluem a guinada à direita, cortes na atuação do Estado e a construção de grandes prisões como soluções para a crise de violência vivida no país.
Na Colômbia, o processo de contagem dos votos ocorre em duas etapas. Inicialmente, é realizada uma apuração preliminar baseada nas atas dos locais de votação.
O resultado oficial só é proclamado após a revisão dos documentos por juízes e autoridades eleitorais, procedimento previsto para ocorrer nesta segunda-feira, 22.
A confirmação da vitória representaria uma mudança de direção política após o governo de Petro, primeiro presidente de esquerda da história recente do país.
Conhecido nacionalmente pela atuação como advogado, De la Espriella construiu sua candidatura fora das estruturas tradicionais dos partidos colombianos e se apresentou ao eleitorado como um nome de fora da política institucional.
Durante a campanha, recebeu apoio aberto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e manifestou admiração pelo presidente argentino Javier Milei.
Antes da disputa eleitoral, vivia na Itália e atuou como advogado de figuras de destaque na política e nos negócios da região. Entre seus clientes estiveram Jorge Visbal, associado a grupos paramilitares colombianos, e o empresário Alex Saab, ligado ao governo venezuelano de Nicolás Maduro.
Ao longo da corrida presidencial, De la Espriella concentrou seu discurso em propostas de combate ao crime e fortalecimento da segurança pública.
Entre as prioridades apresentadas pelo candidato estão o endurecimento das políticas de segurança, a redução do tamanho do Estado, a ampliação da atividade petrolífera e a revisão dos acordos de paz firmados com grupos armados.
O novo governo assumirá uma Colômbia marcada por desafios econômicos, aumento da violência em algumas regiões e um ambiente político polarizado.
A eleição também tem potencial para influenciar o cenário político sul-americano.
Para Sebastián Granda Henao, professor de Fronteiras e Direitos Humanos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a chegada de De la Espriella ao poder pode ampliar a influência política dos Estados Unidos na região.
“Vai ser mais uma ficha no tabuleiro desse modo imperial de Trump governar, se colocando para o mundo cobrando obediência. Diria que alguns processos em curso devem parar, como alianças contra a desigualdade ou por transição energética e preservação ambiental”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Com a confirmação da vitória após a validação oficial dos votos, a Colômbia passará a integrar o grupo de governos latino-americanos alinhados à agenda defendida por Trump, em um momento de rearranjo político na região.