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A guerra voltou? Trump diz que cessar-fogo com Irã 'acabou' após troca de ataques

"Não quero negociar com eles", afirmou o presidente dos Estados Unidos durante cúpula da Otan na Turquia

Donald Trump: presidente dos EUA fala à imprensa durante a cúpula da Otan, em Ancara, onde afirmou que considera encerrado o acordo firmado com o Irã. (Filip Singer/AFP)

Donald Trump: presidente dos EUA fala à imprensa durante a cúpula da Otan, em Ancara, onde afirmou que considera encerrado o acordo firmado com o Irã. (Filip Singer/AFP)

Publicado em 8 de julho de 2026 às 06h29.

Última atualização em 8 de julho de 2026 às 09h56.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que considera encerrado o acordo provisório firmado com o Irã no fim de junho, após uma nova troca de ataques entre os dois países.

A declaração foi feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia, poucas horas depois de Washington retomar bombardeios contra alvos iranianos.

Segundo os Estados Unidos, os novos ataques foram uma resposta a supostas ações iranianas contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz.

Em retaliação, Teerã informou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, além de afirmar que parte do acordo de cessar-fogo firmado no mês passado se tornou "ineficaz" diante das medidas adotadas por Washington.

"Para mim, acabou. Não quero negociar com eles. São pessoas doentes", disse Trump ao ser questionado sobre o futuro do entendimento entre os dois países.

O republicano ainda afirmou que o Irã seria "escória, um povo doente".

Trump, no entanto, não descartou manter negociações. "Eu vou falar com os nossos negociadores. Eles querem negociar. "Mas, até onde eu sei, é perda de tempo", completou o presidente.

Petróleo sobe e tensão aumenta

Segundo a Reuters, a nova escalada militar elevou os preços do petróleo ao maior nível em duas semanas e voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado.

A passagem concentra cerca de 20% do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e o fluxo de navios permanece reduzido desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a revogação da licença para exportação de petróleo e os novos ataques americanos inviabilizam parte do acordo firmado em junho.

O governo também voltou a alertar países da região para que não permitam o uso de seus territórios como base para novas ofensivas dos Estados Unidos.

Conflito domina cúpula da Otan

A escalada no Oriente Médio dominou o primeiro dia da reunião da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, classificou a resposta militar americana como "absolutamente necessária" diante das violações do cessar-fogo atribuídas ao Irã.

Líderes europeus também discutem alternativas para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, enquanto França e Reino Unido avaliam uma missão naval conjunta na região.

Durante a cúpula, Trump voltou a criticar aliados europeus por, segundo ele, não apoiarem os Estados Unidos durante o conflito com o Irã. O presidente americano também anunciou que pretende interromper relações comerciais com a Espanha, ampliando o clima de tensão entre Washington e parceiros da Otan.

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