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51% das multinacionais dizem ter tido perdas por riscos políticos, diz estudo

Levantamento feito pela Howden vê espaço para aumento de venda de seguros contra crises

Protestos na França: agricultores franceses protestam contra o acordo UE e Mercosul (La FNSEA/Divulgação)

Protestos na França: agricultores franceses protestam contra o acordo UE e Mercosul (La FNSEA/Divulgação)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 26 de maio de 2026 às 06h01.

Um estudo feito pela corretora de seguros Howden aponta que 51% das empresas multinacionais relatam já terem sofrido ao menos uma perda associada a riscos políticos em investimentos internacionais entre 2020 e 2025.

Entre os principais impactos estão o atraso ou impossibilidade de converter moeda local ou repatriar recursos (40%), interferência de governos estrangeiros em direitos de propriedade (40%) e abandono forçado de ativos no exterior por causa de violência política (33%).

Os números não somam 100%, porque uma mesma empresa pode ter sofrido com mais de um problema.

Em alguns casos, companhias reportaram prejuízos superiores a US$100 milhões em projetos internacionais.

A pesquisa, chamada "Stepping up: Political risk insurance in a volatile world” (Incrementando: Seguro de risco político em um mundo volátil), ouviu cerca de 500 executivos responsáveis pela gestão de riscos e tesouraria em multinacionais dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França, todas com receita superior a US$ 1 bilhão e investimento médio de US$ 50 milhões na internacionalização de suas marcas.

Entre os setores ouvidos estão empresas de energia, saúde, indústria e exportação, construção, serviços, agricultura e telecomunicações.

Venda de seguro contra riscos políticos

A Howden avalia que a contratação de seguros e medidas contra riscos políticos cresça de 68% para 80% no período entre 2026 e 2030.

Esses seguros abrangem não apenas o risco de mudanças de governo ou de crises institucionais, mas também eventos como protestos, bloqueios logísticos, ocupações e interferências regulatórias.

“A demanda está crescendo, mas ainda existe uma lacuna importante de entendimento. Parte relevante das empresas ainda não incorporou plenamente o risco político na sua estratégia, mesmo já tendo sido impactada por ele”, diz Andoni Hernández, CEO da empresa no Brasil.

O CEO cita como exemplo no país os protestos que bloquearam a operação da Cargill em Santarém, no Pará, em outubro de 2026. Manifestações e bloqueios interromperam o acesso ao porto, paralisando as atividades. "São situações que podem ser enquadradas em coberturas de violência política e interrupção de negócios”, diz.

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