5 motivos de preocupação em relação às Olimpíadas de Londres

Aeroportos, redes e ruas congestionadas e orçamento estourado estão entre as preocupações dos organizadores do evento e moradores da cidade

São Paulo – Na contagem regressiva para o início dos Jogos Olímpicos, que começam em 27 de julho, Londres ainda lida com uma série de preocupação em relação à execução do evento e ao legado que ele deixará para a cidade.

As questões vão desde aeroportos, redes e ruas congestionadas a gastos excessivos e vigilância exagerada.

Confira, a seguir, algumas delas:

Gastos estourados

Os gastos das Olimpíadas de Londres já estão 101% acima da previsão inicial, segundo um estudo da Saïd Business School, da Universidade de Oxford. O orçamento saltou da previsão inicial de 4,2 bilhões de libras, em 2005, para 8,4 bilhões de libras.

O estouro de verba não é incomum na história das Olimpíadas: em média, o orçamento dos jogos olímpicos de verão e inverno dos últimos 50 anos tiveram despesas 179% acima das calculadas inicialmente.

Mas Londres vai romper com uma tendência recente: na última década, os jogos haviam reduzido a margem de gastos extra para 47%.

Segundo os pesquisadores de Oxford, os jogos entrarão para a história dos mais caros de todos os tempos, ao lado de Pequim, Barcelona e Montreal.

Membros do parlamento, que estão de olho nos gastos, já afirmaram que os custos podem ser ainda maiores que os estimados no estudo de Oxford, chegando a 11 bilhões de libras

Aeroporto congestionado

Poucos meses antes do evento, o prefeito de Londres, Boris Johnson, expressou preocupações com as longas filas no controle de imigração e com atrasos no desembarque no aeroporto de Heathrow, que deverá concentrar 80% do tráfego de passageiros que irão à cidade para os jogos.

Em um documento enviado Theresa May, responsável pela área de transportes, em abril deste ano, o prefeito reclamou dos problemas de logística no aeroporto e reforçou que o bom funcionamento do mesmo será fundamental para que o Reino Unido deixe uma boa impressão nos turistas.

O prefeito não está sozinho: parlamentares britânicos também se mostraram preocupados com a capacidade do aeroporto de atender o aumento no volume de passageiros.


Redes inoperantes

Não é apenas o aeroporto de Heathrow que preocupa o prefeito Boris Johnson. Em setembro do ano passado, ele admitiu que as redes celulares podem ficar congestionadas durante os jogos.

O prefeito afirmou que, diante do alto volume de tráfego de dados em equipamentos móveis como smartphones e tablets, transmitindo fotos, vídeos e outros conteúdos multimídia simultaneamente, as redes podem ficar sobrecarregadas e os usuários enfrentar problemas.

Na época, Johnson prometeu trabalhar para reforçar a infraestrutura de comunicação para tentar minimizar os riscos.

Transito caótico

Com centenas de milhares de atletas e torcedores circulando pela cidade, o trânsito de Londres será posto à prova durante as Olimpíadas.

Um relatório da especialista em tráfego INRIX prevê um aumento de pelo menos um terço no tempo de deslocamento nas principais rotas da cidade durante os três primeiros dias de evento.

No pior cenário, os atrasos poderão chegar a até 40 minutos, com os carros trafegando a 20 quilômetros por hora, segundo a empresa, que alerta que muitos turistas poderão até perder a cerimônia de abertura por culpa do trânsito.

Big Brother

O esquema de segurança das Olimpíadas de Londres será um dos mais severos da história dos jogos.

A tradição da cidade de monitorar espaços públicos com câmeras de segurança ganhará ainda mais força durante o evento. Entre os motivos, estão os atentados suicidas que deixaram 52 mortos na cidade em 7 de julho de 2005, manhã seguinte ao dia em que Londres ganhou o direito de sediar os jogos.

Embora não tenha sido estabelecida nenhuma relação entre os eventos, a tragédia deixou marcas profundas na cidade, que desde então tornou-se obsessiva com a segurança. Como resultado, Londres tem mais câmeras per capta que qualquer cidade europeia.


Durante os jogos, a vigilância será redobrada. Mais de 13,5 mil soldados militares serão destacados para reforçar o patrulhamento. Segundo o Guardian, o efetivo total deverá variar entre 24 mil e 49 mil oficiais – o sigilo em torno da questão é tamanho que sequer é possível saber o número exato.

Aviões não tripulados – também conhecidos como “drones” – vão sobrevoar a cidade, que está sendo equipada com uma nova avalanche de câmeras, equipamentos de identificação biométrica e facial e pontos de controle policial.

A preocupação de grupos de defesa dos direitos civis é o legado de toda essa parafernália de segurança após o fim dos jogos. “Isto vai intensificar a sensação de confinamento em uma cidade que já é conhecida no mundo por sua notável vigilância intensiva”, destacou o Guardian.

Para os críticos, os mascotes dos jogos Wenlock e Mandeville  – que trazem, no lugar dos olhos, “câmeras que veem tudo” – não deixam margem para dúvidas.

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