Guerra no Irã: ataques e sucessão de Khamenei ampliam tensão no 10º dia de conflito. (IBRAHIM AMRO/AFP)
Repórter
Publicado em 9 de março de 2026 às 06h31.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou no décimo dia nesta segunda-feira, 9, com novos ataques iranianos contra Israel, confrontos no Líbano, impacto crescente no mercado de petróleo e a primeira ofensiva militar após a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país.
O Irã anunciou o lançamento de uma nova salva de mísseis contra Israel, a primeira desde que Mojtaba assumiu a liderança no domingo. Ele substitui seu pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
A televisão estatal iraniana exibiu imagens de um projétil com a frase “Às suas ordens, Seyyed Mojtaba”, em referência religiosa ao novo líder.
Em resposta, o Exército de Israel anunciou uma nova onda de bombardeios contra alvos que classificou como infraestrutura do regime iraniano no centro do país.
A escalada também atingiu países do Golfo. O Ministério da Saúde do Bahrein informou que 32 civis ficaram feridos após um ataque iraniano com drones contra a ilha de Sitra.
Segundo o governo local, quatro pessoas estão em estado grave, incluindo crianças.
Horas depois, um bombardeio iraniano provocou um incêndio em uma instalação petrolífera em Al Ma'ameer, causando danos materiais.
Desde o início da guerra, o Irã lançou ataques contra países aliados dos Estados Unidos no Golfo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e o próprio Bahrein.
A Arábia Saudita condenou os ataques e afirmou que eles “não podem ser aceitos nem justificados sob nenhuma circunstância”.
No Líbano, o grupo Hezbollah afirmou ter enfrentado tropas israelenses após uma tentativa de incursão aérea no leste do país.
Segundo o movimento, cerca de 15 helicópteros militares israelenses sobrevoaram a região de Nabi Chit antes de desembarcar soldados.
Combatentes do Hezbollah afirmaram ter reagido à operação e enfrentado as tropas israelenses.
A incursão ocorre dois dias após uma operação semelhante que deixou cerca de 40 mortos na região.
Desde o início da ofensiva israelense no Líbano, autoridades locais relatam quase 400 mortos e mais de meio milhão de deslocados.
O conflito também provocou forte impacto nos mercados de energia.
O barril do West Texas Intermediate, referência do mercado americano, ultrapassou US$ 118, com alta superior a 30% no mercado asiático.
Já o Brent, referência internacional, também superou a marca de US$ 118 por barril, acumulando avanço de cerca de 27%.
O aumento reflete temores de interrupções no fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, região responsável por uma parcela significativa da produção mundial.
A tensão regional também levou a Turquia a mobilizar seis caças General Dynamics F-16 Fighting Falcon para Chipre do Norte, território reconhecido apenas por Ancara.
A medida foi tomada uma semana após a ilha ter sido alvo de um ataque com drones em meio à escalada militar no Oriente Médio.
O United States Central Command anunciou a morte de um militar que havia ficado ferido em um ataque iraniano ocorrido em 1º de março.
Com isso, sobe para sete o número de soldados americanos mortos desde o início da guerra.
O Exército iraniano também advertiu que poderá atacar instalações petrolíferas na região caso Israel continue bombardeando infraestrutura energética no país.
Segundo o porta-voz militar Ebrahim Zolfaghari, os mercados podem enfrentar uma disparada ainda maior nos preços do petróleo.
“Se podem tolerar que o petróleo suba para mais de 200 dólares por barril, continuem com esse jogo”, declarou.
Autoridades iranianas afirmaram que o país está preparado para sustentar um conflito prolongado.
O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, Ali Mohammad Naini, declarou que as forças armadas iranianas podem manter ao menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual.
Em meio à escalada militar, a organização Human Rights Watch acusou Israel de utilizar munições de fósforo branco em ataques contra áreas residenciais no sul do Líbano.
Segundo a entidade, projéteis com esse tipo de substância foram utilizados em bombardeios na localidade de Yohmor no dia 3 de março.
A organização afirma que o uso da arma em áreas habitadas pode provocar incêndios, queimaduras graves e mortes.
*Com AFP e EFE