Kit Biden: veja como investir com o novo presidente dos EUA

Candidato democrata tem foco em infraestrutura e sustentabilidade. Entenda como posicionar a carteira de investimentos para tomar proveito da situação

Depois de muita espera, o resultado das eleições americanas já é conhecido: o democrata Joe Biden já acumula delegados suficientes e derrotou o atual presidente, Donald Trump, em disputa apertadíssima no colégio eleitoral. Mas e agora, o que isso tem a ver com seus investimentos? A mudança no rumo da economia americana cria oportunidades. E também exige ajustes na carteira.

Relatório da corretora Guide aponta que a pretensão do democrata em elevar impostos corporativos se apresenta como um risco latente para o desempenho de empresas americanas. Mas existem outros pontos do plano econômico do novo presidente que criam interessantes oportunidades de investimento em setores como infraestrutura e energia.

Juliana Machado, especialista em fundos da EXAME Research, lembra que pode ser difícil acertar o tempo de valorização das empresas americanas. Portanto, o foco do pequeno investidor devem ser ETFs de índices americanos e fundos multimercado do tipo Macro. Machado também sugere maior diversificação e proteção para se blindar da volatilidade do mercado no curto prazo, algo que uma mudança de rumo de uma economia tão relevante costuma causar.

Veja abaixo os tipos de ativo para entrar no radar do investidor, já que apresentam perspectivas de valorização, e também os ajustes necessários para blindar a carteira com a (iminente) vitória do democrata:

Fundos Multimercado Macro

Fundos Multimercado do tipo Macro têm como característica aproveitar oportunidades em momentos de mudança no cenário macroeconômico, como as que provocam a eleição americana.

Isso porque o produto pode fazer apostas de curto prazo em moedas, não apenas do dólar contra o real, mas do dólar contra uma cesta de moedas globais, por exemplo. O gestor também pode atuar no mercado de juros.

Ativos em infraestrutura

O plano econômico do candidato democrata tem como objetivo revigorar a infraestrutura do país. Inclui um ambicioso pacote de 2 trilhões de dólares. Segundo analistas da Guide, é um terreno de valorização para empresas ligadas ao setor de construção, como Caterpillar, Martin Marietta Materials e Jacobs Engineering.

A expansão de gastos com foco em infraestrutura também recai, natural e positivamente, sobre o setor de utilities (como as de energia elétrica) e ferroviárias. Nesta frente, empresas como CSX e Norfolk Southern também se beneficiam.

Mas como aplicar nessas empresas? O pequeno investidor pode investir diretamente no exterior, por meio de corretoras americanas que têm atendimento em português e facilitam a abertura de conta e remessa de valores, como a Avenue. Outra opção é optar por um BDR da empresa listada na B3, caso houver, opção que recentemente ficou disponível para os pequenos investidores.

ETFs que investem em índices de ações americanos

Os ETFs são uma forma simples e barata de capturar uma alta de empresas americanas que tenham peso importante na bolsa. Atualmente, na B3, existem ETFs que seguem o S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas do país. Mas, como Juliana Machado, da EXAME Research, ressalta, o investimento é no indice. Ou seja, nem todas as ações vão se comportar da mesma maneira.

“Tentar acertar ponto de entrada e saída em uma ação específica no pós-eleição é bastante difícil. Por isso o ETF é uma alternativa para capturar ganhos, ainda que mais suave do que investimento direto em algumas ações.”

Ações de empresas de commodities brasileiras

A postura menos belicosa do futuro presidente Biden em relação à China pode beneficiar países emergentes como o Brasil, diz André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton.

Como consequência, ações de empresas ligadas a commodities brasileiras — como Vale e Gerdau — podem se beneficiar desse cenário.

Diversificação no exterior

Machado, da EXAME Research, não acredita que haverá uma desvalorização intensa do dólar em relação a outras moedas tão cedo.

Além disso, uma recuperação da economia americana e a normalização da atividade do país, tirando da frente a questão política, pode fazer com que muitos investidores voltem seu foco para os Estados Unidos. Isso significa tirar dinheiro do Brasil para reforçar a posição nos Estados Unidos, o que pode desvalorizar ativos brasileiros.

Por isso, continua recomendável ter uma parte da carteira aplicada em ativos no exterior, incluindo a economia americana. É uma maneira efetiva de diversificar, capturar possíveis ganhos da economia sob o novo presidente e não ficar exposto apenas ao chamado risco-Brasil.

Ações e fundos de empresas com boas práticas de ESG

Mesmo em um possível cenário de Congresso americano dividido (Senado republicano e Câmara democrata), o aperto na regulação do país poderia ser mantido, segundo relatório do BB Investimentos.

Esse cenário cria um ambiente adverso para algumas empresas, principalmente bancos e empresas de óleo e gás. A sugestão dos analistas da asset do banco é o posicionamento em empresas com boas práticas sociais e de sustentabilidade (ESG), um dos focos da política econômica do futuro presidente (caso sua vitória seja confirmada).

Maior diversificação

Ter uma carteira diversificada, com produtos diferentes e também estratégias, é mais do que nunca uma boa forma de neutralizar uma mudança de rumo na economia americana.

“Mesmo com a vitória, no curto prazo os mercados ficam voláteis porque não se consegue saber logo o posicionamento do novo presidente sobre alguns temas econômicos”, diz Machado, da EXAME Research.

A especialista cita também a possibilidade de judicialização do resultado, que pode alongar o processo e gerar um sobe e desce ainda maior dos ativos.

Setor de energia renovável

O pacote trilionário de reconstrução da economia americana proposto por Biden também inclui uma mudança significativa com relação à política de energia.

Ao contrário de Trump, Biden é favorável à energia renovável, fato que cria oportunidades em empresas de energia solar e eólica, como a First Solar e a Renewable Energy Group, sugerem analistas da Guide.

Assim como no caso de ativos de infraestrutura, o cliente pode optar por aplicar diretamente nas ações em bolsas americanas via corretora lá fora ou em BDRs das empresas listadas na B3, se houver.

Proteção em dólar e ouro

Em momentos como o atual, com uma pandemia global sem data para terminar e a eleição de um novo presidente na maior economia do mundo, é natural que haja uma dificuldade maior para enxergar para onde vão os ativos.

Por causa disso, para quem ainda não tem uma porção da carteira em ativos que atuam como proteção, é hora de montar essa posição defensiva. A indicação de Machado, da EXAME Research, são fundos cambiais e de ouro.

Congresso dividido pode amenizar tendências

De forma geral, André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, avalia que Biden acabou bem-visto pelo mercado. “A impressão é que ele poderá ter um cheque maior para estimular a economia.” Machado, da EXAME Research, diz que não surpreenderá uma alta das bolsas. “Isso porque sai de cena a incerteza do pleito, que cobra um preço alto em relação a ativos, principalmente aqueles tão desvalorizados como o real.”

É necessário ponderar ainda a indefinição do Congresso, essencial para o candidato levar a cabo sua política econômica: é algo que só deve sair em janeiro, e muitas análises estimam que o Senado tenha maioria republicana. Relatório do BB investimentos acredita que esse cenário limita o alcance dos estímulos fiscais no governo do novo presidente e torna mais difícil a aprovação do aumento de impostos pretendida por Biden, o que acabaria sendo favorável para os ativos financeiros.

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