Para recuperar rentabilidade, Alaska vai além das ações do Magazine Luiza

Fundo institucional de 1,5 bilhão de reais da casa tem queda de 39% no ano. Para reverter o quadro, gestora aposta em empresas com caixas robustos

Nem só de ações do Magazine Luiza é composto o portfólio dos fundos da gestora Alaska Asset Management – que, nos últimos anos, ficou conhecida por ter multiplicado os ganhos dos cotistas graças ao investimento em papéis da varejista. Com o agravamento da crise do coronavírus, a gestora fundada por Luiz Alves Paes de Barros, Ney Miyamoto e Henrique Bredda preferiu vender suas posições em juros e dólar para se concentrar em ações. As empresas escolhidas para compor a carteira têm, em comum, caixas abarrotados de dinheiro “em um momento que liquidez é crucial para atravessar esse mar revolto”, diz Miyamoto, em transmissão pela internet, promovida pela corretora Necton, nesta terça-feira.

É o caso do Magazine Luiza, por exemplo, que captou 4,7 bilhões de reais em novembro do ano passado e da empresa de educação Cogna que levantou 2,5 bilhões de reais em fevereiro deste ano. A companhia de logística intermodal Log-In, por sua vez, arrecadou 551 milhões de reais em novembro do ano passado, enquanto a operadora de shopping centers Aliansce levantou 1,2 bilhão de reais no mês seguinte. “Essa liquidez nos deixa tranquilos”, afirma Miyamoto. “Já a Suzano, que também é uma das nossas escolhidas, tem dívidas, mas a geração de caixa da companhia está intocada.”

A Alaska mudou o peso das empresas no portfólio relacionado a commodities. Nas últimas semanas, reduziu a exposição a papéis de petroquímica e aumentou a participação em empresas de celulose. “A gente já via um descolamento do Brasil com o mundo, só não esperava um cavalo de pau como o que aconteceu”, compara Miyamoto. “O problema do ‘óleo’ é que ele carrega problemas além do vírus. Tem a questão da geopolítica envolvida”, acrescenta, referindo-se à disputa de preço do barril de petróleo entre Rússia e Arábia Saudita.

Em 23 de janeiro, o fundo Alaska Black Institucional de 1,5 bilhão de reais registrava uma rentabilidade acumulada de 185%, mas a disseminação da covid-19 reduziu os ganhos. Em fevereiro, as cotas recuaram 10,39%, em março, 32,19% e até o dia 2 de abril o fundo estava no negativo em 1,51%. Portanto, com a queda anual de 39,21%, o retorno acumulado passou a ser de 59,8%, de acordo com levantamento da plataforma de fundos Mais Retorno.

A guinada deve vir novamente da aposta em Magazine Luiza, que tende a se beneficiar do comércio online. Mas não apenas. A Alaska também investe há anos na Cogna. Para Eduardo Mestieri, analista da gestora, que também participou da transmissão pela internet, o principal risco que o grupo educacional corre é a inadimplência. Por outro lado, a empresa pode se beneficiar dos conhecimentos que adquiriu ao longo dos anos sobre ensino a distância. “Com os alunos em casa, a empresa está abrindo essa opção para as escolas e depois poderá aproveitar esse canal para oferecer novos produtos e serviços.”

Sobre os bancos negociados na bolsa, a casa enxerga oportunidade – até porque as fintechs devem dar uma trégua momentânea na disputa por fatia de mercado. No entanto, não tem qualquer exposição a essas ações. “Por enquanto, estamos satisfeitos com nossas escolhas, mas se entendermos que algum papel não está tendo a performance esperada, podemos trocá-lo por um de bancos”, esclarece Mestieri.

Já o setor de construção civil exige mais cautela, por estar atrelado a algumas incógnitas sobre distratos de compra e venda e taxa de inadimplência. “Por isso, preferimos ficar de fora.”

 

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