Os efeitos do furacão Trump

Afinal, para onde vão as bolsas e o câmbio mundo afora com Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos? Até uma semana atrás, a resposta era muito clara. O dólar ganhava peso, e as bolsas subiam mais de 10% desde a eleição, acreditando num programa de estímulos econômicos e de menos impostos do novo governo. Um relatório do Deutsche Bank chegou a afirmar que “as políticas aumentariam a produtividade no longo prazo, mesmo depois de o estímulo inicial perder seu efeito”.

Pois bem, o governo começou fazendo exatamente o que prometeu, e o nível de incerteza e a falta de clareza deixaram os voláteis investidores em pânico. Subitamente, a carruagem de Trump virou abóbora. Depois de recuar 0,61% na segunda, o Dow Jones, principal índice de ações americano, estava em queda de mais 0,6% nesta terça-feira. O ouro, considerado um investimento para momentos de incerteza, subiu pelo segundo dia seguido e fechou janeiro na maior valorização mensal desde junho.

Nesse cenário, o Fed, banco central americano, deve adiar para o segundo semestre os três aumentos de juro prometidos para 2017, o que está reduzindo a entrada de investimentos nos Estados Unidos e, portanto, segurando a alta do dólar. O moeda americana fechou janeiro com queda acumulada de 3,04% em relação ao real, por exemplo, cotado em 3,151.

Peter Navarro, chefe do Conselho de Comércio Exterior de Trump, veio a público nesta terça-feira relembrar quão maluco serão as políticas econômicas do novo governo. Navarro acusou a Alemanha de forçar o euro para baixo para prejudicar as exportações dos Estados Unidos. O resultado foi imediato: o índice oficial do dólar, que compara a moeda a uma cesta com outras seis moedas, chegou a cair 0,8%, aos 99,62 pontos. Analistas atrelam a queda à boca grande de Navarro.

Mais uma vez, o governo Trump nada contra os fatos: o euro caiu 23% nos últimos três anos e chegou, no fim de 2016, a seu menor patamar desde 2002. Acostumados à adrenalina dos boatos, os fundos de curto prazo terão muito a ganhar com Trump. Para os investidores que buscam previsibilidade, serão longos quatro anos.

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