Nada pode mesmo parar a América? Entenda o que move a bolsa nos EUA

Relatório da EXAME Research destrincha a correlação entre os pacotes de estímulos, a recuperação no consumo e a alta das ações nos EUA

A Nasdaq subiu 2,21% e bateu novo recorde nesta segunda-feira, 6, com ajuda das gigantes de tecnologia, como a Netflix que registrou alta de mais de 3,5%. Os índices Dow Jones e S&P 500 não ficaram muito atrás e avançaram 1,78% e 1,60%, respectivamente. A boa notícia da vez é um empurrão do governo chinês para o mercado de ações do país, o que impulsionou a bolsa de Xangai em mais de 5% hoje. Tudo isso após o mundo voltar a bater recorde de novos casos de covid-19, ontem, e de importantes regiões dos Estados Unidos, como a Flórida, anunciarem planos de refechar a economia.

Afinal, sobra otimismo aos investidores sobre o segundo semestre americano? O tema foi tratado em artigo publicado neste fim de semana pela EXAME Research, a área de análises de investimentos da EXAME. O resumo da confiança no potencial americano foi um pronunciamento do investidor Warren Buffett, lembrado pelos autores do relatório, Arthur Mota e Renato Mimica. “Basicamente, nada pode parar a América”, disse Buffett em encontro (virtual) com seus investidores.

Neste domingo, o megainvestidor transformou suas palavras em ações. Seu conglomerado, o Berkshire Hathaway, fechou a compra dos tivos de transmissão e armazenamento de gás natural da Dominion Energy por 4 bilhões de dólares. Considerando parte da dívida da empresa assumida por Buffett, o negócio foi avaliado em 10 bilhões de dólares.

Mimica e Artur separam o impacto da crise da covid-19 no mercado americano em três estágios. “O primeiro, com o estopim da crise até o início de abril; o segundo com o início da desaceleração do número de novos casos no então epicentro [Nova York]; o terceiro com um reaparecimento gradual da pandemia em estados antes sem destaque para os investidores.”

Entre o primeiro e o segundo ato, um enorme pacote de medidas do governo americano para atenuar os efeitos da pademia e preparar uma retomada. O grande divisor de águas veio em 27 de março, com um pacote de estímulos de 2 trilhões de dólares focando famílias, grandes e pequenas empresas e estados. Além disso, o governo flexibilizou as regras para adoção do seguro-desemprego, o que ajudou a renda média mensal a subir “incríveis” 13,4% na passagem de março para abril, segundo o relatório.

“Quando abrimos os números por renda, fica muito mais evidente que esse benefício adicional vigoro que a política fiscal disponibilizou teve efeito na veia para os americanos de menor renda, cuja despesa com consumo está menos de 2,8% em relação ao nível considerado ‘normal’ de janeiro”, afirma o relatório.

No flanco monetário, Mimica e Mota exploram a atuação do Fed, o banco central americano, que cortou a taxa básica de juro em 1,5 ponto percentual, e sinalizou que a manterá no patamar entre 0% e 0,25% até 2022. O conjunto de medidas teve impacto quase imediato nos mercados. O relatório correlaciona os timings do avanço dos anúncios com a alta da bolsa americana nas últimas semanas.

“Essa forte recomposição dos ativos americanos tem efeito rebote na renda do americano. Ao contrário do caso brasileiro, mais de 50% dos americanos adultos possuem alocação no mercado acionário, e essa participação vai aumentando quando considero faixas de renda. Desta forma, a soma dos auxílios e da própria valorização dos ativos gerou um aumento de renda para a média dos americanos, o que deve trazer impactos importantes para o consumod à frente”, diz o relatório. Assim como no Brasil, nos Estados Unidos os investidores têm aproveitado a crise para investir ainda mais em renda variável. Mais de 3 milhões de contas foram abertas desde o ano passado em algumas casas.

Há riscos no caminho, mas a equipe da EXAME Research destaca que poucos países têm o poder de fogo e a capacidade de contrair déficits públicos. O consumo das famílias deve puxar a recuperação no  fim de 2020 e em 2021, criando um cenário de oportunidades para investidores brasileiros e também para empresas brasileiras expostas à economia americana.

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