Minério de ferro já supera valorização do ouro - como isso impacta a bolsa

Demanda chinesa impulsiona preços e ações de mineradoras brasileiras disparam

Além do ouro, outro metal tem apresentado forte valorização em decorrência da pandemia do coronavírus: o minério de ferro. Desde o início do ano, a commodity já subiu cerca de 50% na China, superando até mesmo os 30% de alta que ouro acumula neste ano.

Nesta terça-feira, 18, o contrato futuro do minério de ferro com vencimento em janeiro, negociado na bolsa de Dalian, chegou à quarta sessão consecutiva de alta e fechou cotado a 124,5 dólares a tonelada. No porto de Quingdao, o preço da commodity subiu 5,44% para 128,57 dólares.

A apreciação do ativo é impulsionada principalmente pela China, que tem no minério de ferro sua peça fundamental para os planos de estimular a economia por meio de projetos de infraestrutura. Somente em julho, a China importou 112,6 milhões de toneladas – 10,8% a mais do que em junho e 23,8% superior a julho de 2019. Nos sete primeiros meses do ano, o volume das importações foi de 589,8 milhões de toneladas, 11,8% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

“Aparentemente estamos com fundamentos bem sólidos que sustentam o nível de preço acima de 100 dólares”, avalia Luiz Caetano, analista da Planner Investimentos.

A demanda chinesa tem favorecido grandes empresas da bolsa. No segundo trimestre, a receita da Vale com a China totalizou 4,320 bilhões de dólares – 35,2% superior à do primeiro trimestre do ano. A participação chinesa na receita operacional também aumentou, passando de 45,9% para 57,5%. O bom desempenho da Vale, que registrou lucro de 995 milhões de dólares no período, ajudou até na retomada dos dividendos, que estavam suspenso desde a tragédia de Brumadinho.

A elevada demanda chinesa também provocou efeitos significativos no balanço da CSN, em que o segmento de mineração passou a representar 40% da receita líquida no segundo trimestre ante 29% no período fiscal anterior.

Luiz Caetano, analista da Planner Investimentos, ressalta que empresas com foco em siderurgia, como Gerdau e Usiminas, também se favorecem da alta do minério de ferro. “Elas têm minério próprio, então não sofrem com o custo, mas conseguem repassar a valorização do aço”, explica.

Entre as ações dessas quatro empresas, somente as da Gerdau acumulam queda no ano, com perdas de 2% - ainda assim com performance superior a 68% dos papéis do Ibovespa. As ações da Vale, por outro lado, lideram o setor, com 18% de alta em 2020.

Com participação de cerca de 10% no índice, os papéis da Vale foram um dos principais responsáveis para a recuperação da bolsa. Desde 23 de março, quando bateu seu menor patamar, o Ibovespa já subiu cerca de 59%, enquanto as ações da Vale, 85,87%. Já as ações da CSN dispararam cerca de 150% desde a mínima do ano.

Para analistas do BTG Pactual e do UBS, ainda há espaço para os papéis da Vale subirem. Para ambas as casas, o preço-alvo do ADR da companhia é de 14 dólares, enquanto ainda são negociados a 11,50 dólares. Ou seja, há um potencial de valorização de mais 27%.

Para Caetano, não só as ações da Vale, como da CSN, Gerdau e Usiminas ainda têm espaço para valorização, caso o minério de ferro se mantenha nos atuais patamares. No entanto, ele não espera que o preço da commodity tenha uma forte apreciação daqui para frente.

Em relatório da área de pesquisa do UBS, que faz uso de amostras por satélite, os carregamentos de minério de ferro do Brasil para a China bateram o segundo maior patamar do ano na semana passada, ainda que o volume tenha diminuído 12% em relação à semana anterior. De acordo com o UBS, o Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro do mundo, atrás apenas da Austrália, e corresponde a 27% do mercado global. Dentro do país, a Vale representa 79% das exportações, a CSN, 8%, a britânica Anglo, 4%, Usiminas, 1% e outras empresas, 7%.

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