Mercado local repercute Copom sem perder foco externo

Apesar de posições significativas no segmento de DI para o corte de 0,75 ponto percentual, o mercado estava dividido, com apostas também para uma redução de 0,50 ponto

São Paulo – A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a Selic de 10,50 por cento a 9,75 por cento ao ano na noite de quarta-feira deve repercutir nas operações financeiras locais nesta quinta-feira, dividindo o foco com o quadro internacional. Apesar de posições significativas no segmento de DI para o corte de 0,75 ponto percentual, o mercado estava dividido, com apostas relevantes também para uma redução de 0,50 ponto. E a segmentação no placar de votação do Copom – dois dos sete membros apoiaram o corte para 10 por cento – ratifica tal divisão de ideias sobre a necessidade ou não de acelerar o ritmo de afrouxamento monetário.

Mas as justificativas da decisão ficaram para a ata da reunião, prevista para ser divulgada na próxima quinta-feira, uma vez que o comunicado que acompanhou o anúncio da nova taxa foi enxuto. Desta vez, contudo, a reação à “surpresa” – a maioria dos economistas previa uma queda para 10 por cento, mas havia instituições prevendo um corte maior – não deve ficar restrita aos contratos futuros de juros. Para o BNP Paribas, por exemplo, a perspectiva já negativa na visão do banco para o real ficará pior.

O mercado acionário também tende a ser contagiado. No exterior, por sua vez, a expectativa de que a Grécia irá assegurar a troca de dívida com investidores privados, cujo prazo termina às 17h (horário de Brasília) desta quinta-feira, corroborava o viés positivo nos negócios. Agentes também aguardam decisões de juros do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra. Em ambos os casos, não são esperadas grandes novidades, nem mesmo na coletiva à imprensa do presidente do BCE, Mario Draghi.

Ele apenas deve colocar sob responsabilidade dos governos da zona do euro a responsabilidade para enfrentar a crise após injetar mais de 1 trilhão de euros no sistema financeiro da região.

Às 8h56, índice europeu FTSEurofirst 300 subia 1,38 por cento e o futuro do norte-americano S&P 500 avançava 0,75 por cento – 10,10 pontos. O MSCI para ações globais ganhava 0,92 por cento e para emergentes, 1,2 por cento. O MSCI de ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão verificava acréscimo de 1,52 por cento.

Em Tóquio, o Nikkei fechou em alta de 2,01 por cento. O índice da bolsa de Xangai terminou com elevação de 1,06 por cento. Entre as moedas, o euro apreciava-se 0,70 por cento, a 1,3241 dólar, o que influenciava a queda de 0,48 por cento do índice DXY, que mede o valor do dólar ante uma cesta com as principais divisas globais.

Em relação ao iene, o dólar valorizava-se 0,70 por cento, a 81,65 ienes. No caso das commodities, o petróleo do tipo Brent aumentava 0,97 por cento em Londres, a 125,32 dólares, enquanto o barril negociado nas operações eletrônicas em Nova York subia 0,76 por cento, a 106,98 dólares.


Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta quarta-feira:

CÂMBIO – O dólar fechou a 1,7645 real, com variação positiva de 0,03 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA – O Ibovespa subiu 1,39 por cento, para 66.016 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 7,25 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS – O índice dos principais ADRs brasileiros subiu 0,60 por cento, a 33.409 pontos.

JUROS – No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 9,530 por cento ao ano, ante 9,600 por cento no ajuste anterior.

EURO – Às 18h22, a moeda comum europeia era cotada a 1,3153 dólar, ante 1,3114 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

RISCO-PAÍS – O risco Brasil caía 8 pontos, para 192 pontos-básicos. O EMBI+ cedia também 8 pontos, a 328 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA – O índice Dow Jones fechou em alta de 0,61 por cento, a 12.837 pontos, o S&P 500 registrou valorização de 0,69 por cento, a 1.352 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,87 por cento, aos 2.935 pontos.

PETRÓLEO – Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto terminou com valorização de 1,46 dólar, ou 1,39 por cento, a 106,16 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS – O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, caía, oferecendo rendimento de 1,9739 por cento, frente a 1,95 por cento no fechamento anterior.