João Braga, da XP, desconcentra e monta carteira “para dormir tranquilo”

Gestor diversifica, e fundo que antes tinha 15 ações agora tem 23

João Braga, sócio gestor da XP Asset Management, em sua primeira fala desde que vendeu parte relevante de suas posições mais convictas e conhecidas, Qualicorp e Via Varejo, deu uma medida do quanto desconcentrou sua carteira. “No lugar de ter de 12 a 15 papéis, hoje eu tenho 23”, afirmou em ‘live’ promovida pela casa nesta manhã, apenas para clientes.

Na semana passada, Braga anunciou a abertura de captação de novos recursos para fundos de longo prazo, a exemplo de diversas gestoras conhecidas. Quando surpreendeu o mercado com a venda de suas maiores “eleitas”, ele justificou que não há lógica em ficar em poucas apostas no atual cenário de preços, que julga descontados. “Eu ficaria muito exposto a riscos específicos e, nesse nível de preço, isso não faz sentido.” Explicou ainda que estará atento e propenso a fazer mais “trocas de posições”, com a volatilidade do mercado.

Braga, pupilo de Luis Stuhlberger, gestor do renomado fundo Verde, afirmou aos investidores que montou uma estratégia que permite a ele uma boa noite de sono. E que não tentará acertar o piso de preços da bolsa, nem o grande ativo que fará a carteira brilhar. “Não tem bala de prata. É back to basics mesmo.”

 

Na explicação, ele dividiu a carteira em três núcleos de estratégia:

*25% são as “atacantes”: Banco do Brasil, a própria Via Varejo e Lojas Renner, entre outras. São empresas escolhidas a dedo, que estão no centro dos problemas gerados pela pandemia, na visão do mercado, mas que têm condições de se recuperar bem.

*35% são as “anti-frágeis”: Vale e Suzano estão nessa lista, que inclui companhias dolarizadas e ligadas a commodities. Nesse grupo também estão Marfrig e JBS, pois o gestor acredita que haverá, após a pandemia, uma mudança estrutural com aumento do custo de produção de proteína animal na China, em decorrência de possíveis controles sanitários maiores pelo governo.

*40% são as “defensivas”: Copel, Sanepar, Eletrobras, Cesp, por exemplo. As empresas de energia e saneamento estariam, nessa crise, mais protegidas dos reflexos econômicos pelo caráter de necessidade básica.

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