Ibovespa pode alcançar 71.650 pontos até fim do ano

Índice deve subir quase 17% até o final de 2011

São Paulo – O principal índice do mercado brasileiro de ações vai subir 17 por cento até o final do ano, com a inflação sob controle e a economia global se recuperando, embora um possível default da Grécia possa deixar investidores apreensivos, segundo uma pesquisa da Reuters.

O Banco Central já elevou a Selic quatro vezes neste ano, para 12,25 por cento, uma das maiores taxas do mundo. Mas economistas apostam que o ciclo de aperto monetário provavelmente está perto do fim.

Profissionais do mercado avaliam que o Ibovespa deve ganhar fôlego no segundo semestre do ano, amparado pela expectativa de que a economia brasileira cresça 4 por cento neste ano e por compras de oportunidades após o mercado acionário acumular queda de 11 por cento desde janeiro.

“Embora esperemos que ocorra mais um aumento de juro, acreditamos que os preços do mercado de ações já refletem isso”, disse Wietse Nijenhuis, do HSBC.

“Acreditamos que as condições estão agora suficientemente apertadas para permitir que investidores olhem além da inflação, deixando, assim, os preços subirem.” O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, vai alcançar 71.650 pontos até o final do ano, o que significa uma valorização de 16,7 por cento ante o fechamento da terça-feira.

Os números foram obtidos pela mediana de estimativas de 22 analistas, estrategistas e gestores de fundos em pesquisa da Reuters ao longo da semana passada.

As previsões variaram entre 56.000 e 89.000 pontos. Em pesquisa feita em março, o prognóstico indicava que o Ibovespa fecharia o ano aos 76.500 pontos.

O levantamento divulgado nesta quarta-feira também apurou que o principal índice acionário brasileiro deve avançar para 75.000 pontos até meados de 2012.

Alívio na Inflação?

Desde que a inflação acumulada em 12 meses alcançou 6,55 por cento –acima da meta de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais–, investidores temem que os preços possam ficar fora de controle.


Mas após o aumento da Selic em 1,5 ponto percentual neste ano e a queda nos preços de commodities no mercado internacional, as leituras mensais de preços começaram a esfriar, aliviando parte dos temores.

Depois da queda acumulada no ano, analistas dizem que algumas ações do Ibovespa parecem bastante atrativas.

Os papéis preferenciais da Petrobras já acumulam perda de 13,2 por cento neste ano, não muito distante das mínimas em dois anos.

A ação preferencial da Vale está sendo negociada a um preço por lucro em 2011 abaixo de 6 vezes, afirmou Paulo Esteves, da Gradual Investimentos. Relações baixas entre preço e lucro podem sugerir que a ação de uma determinada empresa está desvalorizada.

Aversão a risco

A desaceleração econômica nos Estados Unidos e na China também pode corroer os ganhos.

Alguns ruídos externos ainda podem atrapalhar a valorização deste ano, principalmente vindos da zona do euro, onde a atual crise de dívida tem imposto dúvidas sobre o futuro do bloco monetário.

A dívida da Grécia tem sido uma preocupação particular, com manifestantes tomando as ruas do país em meio às tentativas do governo de aprovar medidas de austeridade. As autoridades europeias ainda precisam chegar a um acordo sobre mais esforços para impedir que Atenas declare moratória.

A moratória grega pode minar a recuperação global neste ano e direcionar investidores para ativos considerados seguros, prejudicando, portanto, as bolsas de valores de mercados emergentes.

“As dificuldades que estão sendo observadas na Europa com a ajuda para a Grécia são um grande sinalizador do momento de aversão a risco que o mercado atravessa”, disse Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.

“Se for encontrado um modelo aceitável de ajuda aos países que formam os Pigs (sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), poderemos ter uma recuperação a partir do segundo semestre de 2011, com abrangência para 2012. Caso contrário, poderíamos ter uma contaminação ainda maior que a atual”, completou.

Na véspera, o governo grego ganhou um voto de confiança do Parlamento. Outras questões preocupantes incluem a possibilidade de um crescimento menor que o esperado em alguns países. Uma série de recentes dados tem colocado dúvidas sobre a força da recuperação norte-americana, com o Fundo Monetário Internacional inclusive reduzindo a estimativa de expansão para a maior economia do mundo neste ano.


Além disso, a China vem tomando medidas para esfriar o crescimento a um ritmo sustentável e com inflação moderada. Mas analistas estão divididos se Pequim vai conseguir fazer um “pouso suave” na economia ou se provocará uma desaceleração mais forte.

Independente da direção, contudo, o desempenho do Ibovespa pode representar mais um leve reflexo dos acontecimentos do que uma repercussão forte desses eventos, na opinião de Kathryn Rooney Vera, estrategista da Bulltick Capital Markets.

“Não vejo nenhum motivo real que me diga que será um ano ruim para a Bovespa.”