Ibovespa sobe e fecha acima dos 95 mil embalado por dados econômicos

Apesar da alta, investidores mantêm cautela sobre aumento do número de casos de coronavírus nos Estados Unidos

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, iniciou a semana em alta, acompanhando o movimento de alta das bolsas internacionais, após perdas significativas do último pregão. Dados econômicos que vieram acima das expectativas endossaram o tom positivo. Com isso, o Ibovespa subiu 2,03% e encerrou em 95.735,35 pontos.

Em dia de volume de negociação relativamente baixo, os investidores repercutiram os dados de vendas pendentes de moradias dos Estados Unidos, que, em maio, tiveram alta de 44,3% em relação ao mês anterior. A expectativa do mercado apontava para crescimento de 18,9%.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio também surpreenderam positivamente os investidores, embora tenha sido o pior da série histórica iniciada em 1992. Isso porque as projeções apontavam para perdas de 900 mil postos de trabalho, segundo o Broadcast, e os dados apontaram para queda de 331.901 vagas.

“Os dados deram um alívio em termos de perspectivas, mas ainda é muito cedo para falar em uma recuperação econômica em ‘V'”, disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Apesar da alta, os investidores mantêm-se cautelosos com o crescente número de casos de coronavírus nos EUA, que tem registrado recordes diários nos últimos dias.

Em estados que estão passando pelo pico da doença, como Flórida, Texas e Califórnia, algumas medidas de isolamento social foram retomadas para tentar desacelerar o ritmo de contaminação. Segundo a CNN americana, ao menos 12 estados congelaram processos de reabertura.

A retomada de quarentenas mais rígidas em regiões próximas à capital chinesa também preocupa os investidores, que temem que os impactos econômicos do coronavírus se estendam por muito mais tempo do que o previsto anteriormente.

“Isso é um retrocesso e coloca em cheque recuperação em “V”, o que causa uma aversão a risco muito grande no mercado”, comentou Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

No cenário interno, questões políticas que envolvem a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, segue em foco, mas ainda sem fazer preço. A decisão de fazer delação premiada ou não, tem sido acompanhada de perto pelos investidores.

“O possível acordo de delação premiada é algo para se manter no radar. Mas tem que ver até onde vai o impacto de uma possível delação. Se dificultar a governabilidade do presidente e ficar mais difícil aprovar as reformas, vai gerar bastante preocupação”, disse Esteter.

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