Ibovespa fecha em queda 2,94%, mas tem melhor mês desde janeiro de 2019

Pedidos de subsídio de desemprego nos EUA e PIB da zona do Euro pesam sobre os mercados na véspera de feriado

O Ibovespa, principal indicador da bolsa, fechou em queda de 2,94%, nesta quinta-feira, 30, e encerrou em 80.721,83 pontos. Apesar do resultado negativo, o forte rali de recuperação das últimas três sessões o levou a fechar abril com o melhor desempenho mensal em 15 meses, em alta de 10,25%. A valorização foi a maior desde janeiro de 2019, quando o índice subiu 10,82%

Em véspera de feriado e após três altas consecutivas, os investidores aproveitam para realizar lucro.  Amanhã, o mercado brasileiro estará fechado devido ao feriado do dia 1º de maio. 

Sandra Peres, analista da corretora Terra Investimentos, explica que os investidores desmontam posições e tentam amenizar o risco com o mercado interno fechado durante três dias.

Além disso, pesaram sobre o Ibovespa os dados negativos vindos do exterior. Pela manhã, os investidores acompanharam a divulgação dos pedidos de subsídio de desemprego nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado, ficando em 3,8 milhões. No total, são 30 milhões de desempregados nos Estados Unidos. Após a divulgação dos dados, o futuro do S&P 500 ampliou queda de 0,40% para 1%. O S&P 500, principal índice do mercado americano, fechou em queda de 0,92%.

Outro indicador importante do dia foi a divulgação do PIB da zona do euro, que contraiu ao ritmo histórico de 3,8% no primeiro trimestre deste ano, refletindo o impacto do fechamento abrupto das economias do bloco no combate à pandemia do coronavírus (Covid-19).

“O resultado mostra que, apesar das medidas de injeção de dinheiro na economia aprovados pelos governos e pelo Banco Central Europeu, novos impulsos terão de ser colocados em prática para que a economia entre em trajetória de recuperação – principalmente pelas sequelas que esta crise pode deixar sobre a capacidade produtiva da economia”, afirmam os analistas da Guide Investimentos, em relatório divulgado hoje. 

Além dos dados externos, o mercado acompanhou as declarações do presidente Jair Bolsonaro. Ontem à noite, Bolsonaro afirmou que tem o direito garantido por lei de não divulgar em público o laudo do resultado sobre seu exame do novo coronavírus (Covid-19), que anteriormente foi anunciado ter dado negativo. Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, as declarações do presidente trazem um desgate ainda maior e aumenta a instabilidade política no país.

Com grande participação no Ibovespa, os grandes bancos foram um dos grandes responsáveis pela queda mais acentuada de hoje, após o fraco resultado financeiro do Bradesco ter jogado maior pessimismo sobre o setor. Em balanço divulgado nesta manhã, o banco informou que, devido à expectativa de maior inadimplência, seu lucro líquido diminuiu 39,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Na bolsa, as ações ordinárias do Bradesco recuaram 6,45% e as preferenciais, 7,22%. Já os papéis do Itaú, Banco do Brasil e Santander caíam 3,17%, 3,59% e 4,59%, respectivamente.

“O resultado do Bradesco liga o botão de alerta ao declarar que as provisões foram necessárias, visando o cenário econômico adverso que poderá resultar no aumento do nível de inadimplência em meio à da falência de empresas, elevação do desemprego e degradação do valor das garantias”, escreveram analistas da Terra Investimentos em relatório.

Nos últimos três pregões, a bolsa brasileira havia acumulado alta de 10,4%, impulsionada pelo cenário externo mais favorável, com alguns países sinalizando reabertura de suas economias e maior perspectiva de uma cura para o coronavírus. Mas, para Luiz Guilherme, presidente da Sabe Invest, ainda falta fundamentos para a bolsa. “A bolsa passou dos 83 mil pontos com o país pegando fogo. Foi uma alta sem muita qualidade”, afirmou.

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