Dólar vira no final e cai com otimismo no exterior

A divisa norte-americana terminou com baixa de 0,14 por cento, a 1,7620 real na venda, depois de ter saltado quase 1 por cento

São Paulo – O dólar virou nos minutos finais da sessão e fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, em meio ao crescente otimismo de que a Grécia vai chegar a um acordo para evitar um calote desordenado.

A divisa norte-americana terminou com baixa de 0,14 por cento, a 1,7620 real na venda, depois de ter saltado quase 1 por cento, em meio a declarações do secretário do Tesouro Nacional.

No início do dia, a cotação operou em baixa, mas passou a subir e bateu máxima de 1,7815 real, tendo como suporte comentários de Arno Augustin de que o governo pode comprar 100 por cento dos títulos da dívida externa que estão vencendo até 2015 para impedir a “valorização excessiva do real”.

A própria presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vêm alertando repetidas vezes que o governo pode tomar mais ações para evitar novas quedas do dólar e prejuízos à indústria brasileira.

Grécia –  Ao longo da tarde, no entanto, embaladas pelas perspectivas da Grécia, as bolsas de valores internacionais aceleraram as altas e o dólar intensificou a queda contra outras divisas, o que ajudou a enfraquecer a moeda no Brasil.

“Os mercados lá fora estão cada vez mais certos de que a Grécia vai alcançar um acordo para a troca da dívida. Isso acabou fazendo a diferença no final”, disse o operador de câmbio de uma corretora paulista, que pediu para não ser identificado.


De acordo com uma autoridade do governo grego, mais de 75 por cento dos credores privados com dívida grega elegível concordaram com uma troca de bônus para diminuir a carga de dívida do país, e as notícias sugerem que o país está se aproximando dos 90 por cento desejados. O prazo para a adesão acabou às 17h (horário de Brasília).

As bolsas de valores globais caminhavam para o melhor dia em cinco semanas, enquanto o dólar acelerava a queda a 0,70 por cento frente a uma cesta de divisas, com expressiva alta do euro e de moedas de perfil semelhante ao real, como o dólar australiano.

A melhora no sentimento externo acabou se sobrepondo à apreensão de investidores com novas medidas do governo sobre o mercado de câmbio.

Segundo profissionais do mercado, o corte de juro mais agressivo feito Banco Central na véspera também está alinhado com as preocupações do governo com o câmbio.

Com uma Selic menor, o diferencial dos juros interno e externo -o que tem estimulado os fortes ingressos de dólares- cai, reduzindo a pressão de baixa sobre a moeda norte-americana. O BC cortou a taxa básica em 0,75 ponto percentual, para 9,75 por cento ao ano.

O fluxo cambial ao país acumula um saldo positivo de 15,5 bilhões de dólares neste ano, segundo dados do BC.

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