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Com dólar a R$3,90, BC volta a reforçar atuação

Às 11:31, o dólar avançava 1,47 por cento, a 3,8949 reais na venda, depois de bater a máxima de 3,9147 reais

São Paulo - A constante alta do dólar, nesta sessão acima de 3,90 reais, obrigou o Banco Central a novamente anunciar intervenção extraordinária no mercado cambial, tentando trazer mais equilíbrio ao mercado afetado pelo nervosismo dos investidores com as cenas política e fiscal locais.

Às 11:31, o dólar avançava 1,47 por cento, a 3,8949 reais na venda, depois de bater a máxima de 3,9147 reais, maior nível intradia desde fevereiro de 2016. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,80 por cento.

"Estamos vendo um pequeno ataque especulativo ao Brasil via câmbio, mas acredito que é perfeitamente contornável", afirmou o sócio-gestor da gestora Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

O mercado doméstico piorou após a greve dos caminhoneiros elevar as preocupações com a deterioração do quadro fiscal do Brasil, com a redução do preço do diesel gerando impacto bilionário sobre as contas do governo.

Além disso, pesquisas eleitorais têm mostrado dificuldade dos candidatos que o mercado considera como mais comprometidos com ajustes fiscais de ganhar tração na corrida presidencial.

Com isso, o BC vem atuando com mais força nos mercados e, nesta sessão, anunciou e vendeu integralmente a oferta de até 40 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares.

Mais cedo, o BC já havia vendido integralmente outro lote de até 15 mil novos swaps, injetando com esses dois leilões 6,866 bilhões de dólares neste mês no mercado.

O BC também ofertará até 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho. Se mantiver esse volume até o final do mês, rolará integralmente o volume de 8,762 bilhões de dólares.

A turbulência recente levou os estrategistas a elevaram suas projeções para o dólar, mas a incerteza sobre as cotações disparou, mostrou pesquisa da Reuters, ilustrando como o salto da moeda norte-americana colocou em xeque os mantras otimistas que marcaram os últimos meses.

"O BC tem mesmo que atuar. Se o dólar bater em 4 reais vai ter um mal-estar muito grande", acredita Petrassi. "Ele tem artilharia grande. Precisa aumentar o swap. Se complicar, usar (leilão de) linha. Tem que mostrar pulso firme", completou, referindo-se aos leilões de venda de dólares no mercado à vista com compromisso de recompra.

Especialistas consultados pela Reuters disseram que, caso o dólar permaneça acima do patamar de 4 reais, a atual política monetária do BC teria de ser alterada, com eventuais altas da Selic.

No exterior, o dólar também tinha viés de alta ante divisas de países emergentes, subindo ante os pesos chileno e mexicano.

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