Dólar sobe e tem maior alta semestral desde 2008

Mercado que lei de segurança nacional chinesa sobre Hong Kong provoque retaliações por parte do governo americano

O dólar fechou em alta contra a maioria das moedas emergentes, nesta terça-feira, 30, refletindo a maior aversão a risco, após o governo chinês promulgar a lei de segurança nacional em Hong Kong. Por aqui, o dólar comercial subiu 0,3% e encerrou sendo vendido a 5,440 reais. No semestre, a moeda americana subiu 35,19%. Considerando a variação da ptax, taxa de câmbio que serve de referência para contratos em dólar, que acumula valorização de 35,86% no ano, a alta semestral foi a maior desde o segundo semestre de 2008, quando subiu 46,81%, segundo dados do sistema de informações financeiras Economática.

No início do período da tarde, quando o dólar comercial era negociado em alta de mais de 1%, o Banco Central entrou com leilão de dólar à vista, arrefecendo a valorização da moeda americana. No entanto, a injeção de liquidez da autarquia não foi suficiente para inverter a direção da moeda.

“”Hoje teve uma tensão muito grande em relação ao que pode acontecer entre China e Estados Unidos, se vai se intensificar essa guerra comercial ou não”, disse Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimento.

Isso porque a lei de segurança nacional sobre Hong Kong, que abre espaço à repressão de manifestações sociais, aumenta a tensão entre China e Estados Unidos, aliados da ex-colônia britânica.

O tema já provou reações por parte das duas maiores potências do mundo. Na semana passada, o governo americano restringiu a entrada de autoridades chinesas responsáveis por “minar as liberdades de Hong Kong”. Em resposta, a China também restringiu vistos de americanos acusados de “conduta ofensiva” sobre temas relacionados à ex-colônia britânica.

Por outro lado, os dados econômicos da China ajudam a atenuar o pessimismo no mercado. Divulgado na noite de ontem, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial de junho ficou em 50,9 pontos, acima dos 50 pontos que delimitam a expansão da contração da atividade. O número também ficou acima da expectativa de mercado, que esperava que o PMI ficasse em 50,4 pontos.

Os dados americanos de confiança do consumidor de junho vieram melhores que o esperado e também foram favoráveis aos ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes. A expectativa era de que o índice saltasse de 85,9 pontos para 91,8 pontos, mas foi para 98,1 pontos.

No radar dos investidores, também esteve a taxa de desemprego brasileira, divulgada pelo IBGE, que ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio. Os números vieram em linha com as projeções de mercado, limitando os efeitos sobre o mercado.

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