Dólar comercial abre em queda de 0,12%, a R$ 1,649

São Paulo – O dólar comercial abriu o dia em queda de 0,12%, negociado a R$ 1,649 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de ontem, a moeda americana recuou 0,54% e foi cotada a R$ 1,651 no fechamento. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar à vista abriu em queda de 0,16%, a R$ 1,6482.

O mercado de câmbio local abre as negociações de hoje de olho no relatório de empregos (payroll) dos Estados Unidos, que sai pela manhã, mas esperando por intervenções do Banco Central (BC) ao longo do dia. Ontem, a autoridade monetária deixou o mercado “livre”, ao fazer apenas um leilão de compra à vista, o que fez o dólar fechar no menor valor desde 3 de janeiro deste ano.

“O mercado está sempre esperando que o BC atue, pois ele é atualmente o grande e único comprador de dólares”, resume um operador, para quem o payroll norte-americano ditará o ritmo dos mercados ao longo do dia. “Se o payroll vier bom, o dólar cai. Se vier ruim, pode cair mais ainda”, analisa a fonte.

Ainda de acordo com analistas, o fluxo de recursos estrangeiros tende a continuar positivo para o País no curto e no médio prazo, especialmente após o novo aumento do diferencial de juros interno e externo. Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,50 ponto porcentual a Selic (a taxa básica de juros da economia), para 11,75% ao ano, na última quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) já deu sinais de que os juros devem permanecer nos níveis recordes de baixa, na faixa de zero a 0,25% ao ano.

Porém, boa parte dos analistas considera que a economia norte-americana já está em um processo de recuperação, “o que é bom para todo mundo”, mas estimula a venda de dólares e a tomada de risco. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, manteve o juro básico inalterado em 1% ao ano ontem, mas sinalizou uma “possível” elevação das taxas em abril, ajudando a dar impulso ao euro ante o dólar. “Mesmo que o juro na Europa suba, a nossa atratividade continuará muito grande. Apenas um fato interno que gere aversão ao risco ou uma nova crise pode mudar o quadro de entrada de recursos”, avalia um analista.

No Brasil, a desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro para 0,80%, ante 0,83% em janeiro, ainda não é o suficiente para diluir as apostas de boa parte do mercado de que o juro ainda subirá entre 0,75 ponto e 1 ponto porcentual em 2011. Ontem, no entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo não descarta tomar novas medidas no câmbio em caso de grande volatilidade da moeda norte-americana. “Estamos acompanhando e podemos tomar medidas se for necessário”, disse.

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