Dólar cai pela 2ª vez seguida com melhor perspectiva sobre coronavírus

Com o fim da pressão do coronavírus sobre os mercados, especialista vê dólar cair para abaixo de 5 reais

O dólar voltou a fechar em queda frente ao real nesta terça-feira, 7, com a percepção de que o avanço do coronavírus no mundo tenha perdido força nos últimos dias. Com a mudança do humor no mercado, ativos considerados de maior risco, como moedas de países emergentes, valorizaram-se. Por aqui, o dólar comercial caiu 1,2% e encerrou cotado a 5,228 reais. O dólar turismo recuou 1,6%, a 5,50 reais.

O otimismo tem como pano de fundo a diminuição dos novos casos apresentados na Europa, continente em que a doença deixou a maior quantidade de vítimas fatais. Nos Estados Unidos, país onde há o maior número de infectados, a percepção sobre os possíveis estragos da doença também melhorou, após os governadores dos estados de Nova York e Nova Jersey falarem em “achatamento da curva” de contágio.

Com o maior apetite a risco, o dólar perdia forças no mundo. O índice Dxy, que mede o desempenho da moeda americana contra divisas dos principais parceiros comerciais dos EUA, caiu 0,8%. A queda foi puxada pelo euro, que se apreciou mais de 1% contra o dólar, pondo fim a uma sequência de seis quedas consecutivas.

Para João Manuel Freitas, diretor de operações da Travelex Bank, o dólar deve se enfraquecer no mundo conforme o coronavírus deixe de ditar os rumos dos mercados. No Brasil, ele espera que a moeda volte a ser negociada entre 4,50 reais e 5 reais, já projetando um cenário com corte de juros de 25 pontos bases , para uma taxa Selic de 3,5% ao ano.

“[O dólar acima de 5 reais] está ligado ao movimento de instabilidade no mundo. Voltando a economia, a produção, não tem como o dólar conseguir se sustentar nesse nível”, disse Freitas. 

Apesar de vislumbrar um dólar abaixo de 5 reais quando a economia voltar ao normal, ele vê alguns obstáculos no caminho. “O auxílio do governo ainda não chegou nas empresas. Isso deixa elas com um ponto de  interrogação muito forte. Quanto mais tempo demorar, mais vai ser o sofrimento.”

A instabilidade da política interna também o preocupa. Segundo ele, se os ruídos sobre a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta tivessem sido confirmados, o cenário no mercado interno seria “completamente diferente”. 

“Tendo em vista que foi apaziguado ontem, voltou a andar [positivamente] parecido mercado internacional”, disse.