Dólar fecha acima de R$ 5,19 e se aproxima de novo recorde

Moeda americana se fortalece em meio à aversão a risco, com aumento do número de infectados nos EUA e extensão de quarentena

São Paulo – O dólar fechou em alta frente ao real nesta terça-feira, 31, com incertezas sobre os impactos do coronavírus em meio ao aumento do número de infectados nos EUA e em dia de formação dos preços que serão exercidos em contratos comerciais. O dólar comercial subiu 0,2% e encerrou cotado a 5,194 reais. O dólar turismo avançou 0,2%, a 5,47 reais. 

Mais cedo, o a moeda americana chegou a apresentar leve queda, mas voltou a se apreciar depois da formação da ptax, taxa usada como referência em contratos financeiros. “Hoje é conhecido como o ‘dia da briga da ptax'”, disse Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus. A taxa é definida por meio quatro consultas ao longo do dia, sendo a última às 13h. Segundo Laatus, já era esperada maior volatilidade até lá. “Fica uma briga grande nesses horários para tentar manipular o preço.”

Na máxima da sessão, o dólar comercial chegou a ser negociado a 5,211 reais, próximo da máxima histórica de 5,238 reais, alcançada no último dia 18. Também faltou pouco para a moeda bater o recorde de fechamento, que é de 5,196 reais. Em março, a moeda americana subiu 15,9% frente ao real. No trimestre, a alta acumulada foi de 29,44%.

No exterior, o dólar teve mais um dia de alta frente às principais divisas do mundo, com os investidores ainda cautelosos com os impactos econômicos do coronavírus. “As empresas paradas preocupam o mercado. E isso acaba dando força para o dólar”, disse Laatus.

Contudo, a moeda americana deu algum alivio a algumas divisas emergentes, como o rublo russo e o peso mexicano. A lira turca, por sua vez, se desvalorizou contra o dólar.

“O dólar está bem esticado com esse movimento de aversão a risco. Mas falta um gatilho para ele cair e se normalizar de novo”, comentou Marcel Zambello, analista da Necton. Segundo ele, os pacotes econômicos anunciados pelo governo deve tirar parte da pressão sobre o real no médio prazo.

Para Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora De Câmbio, considera as recentes apreciações do dólar em relação ao real “sem fundamentos”. “Parece um desperdício a busca por fundamentos para o dólar ser cotado no Brasil ao preço de 5,20 reais e a bolsa, com o país com a economia em fragalhos, resistir retomando movimentos de alta”, afirmou.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.