HSBC reduz preço-alvo de ações do Bradesco após resultados

Custos operacionais são principais desafios do banco, dizem analistas; preço-alvo caiu de R$ 40,50 para R$ 35,50

São Paulo – O banco de investimentos HSBC revisou suas projeções para o Bradesco (BBDC4), segunda maior instituição privada do Brasil, apesar da companhia ter registrado em 2010 o terceiro maior lucro (10,022 bilhões de reais) já conquistado pelas empresas que compõem o setor financeiro nacional. Em relatório enviado aos clientes, os analistas Victor Galliano e Mariel Santiago reduziram o preço-alvo para os papéis do banco privado de 40,50 reais para 35,50 reais.

O corte foi justificado pelos “contínuos ventos desfavoráveis nas despesas operacionais” e encargos de crédito da companhia. Para os analistas do HSBC, ficará mais difícil para o Bradesco mascarar suas falhas no controle de custos na medida em que o crescimento da receita desacelerar.

Projeções

A administração do Bradesco pretende manter o crescimento das despesas operacionais entre 11% e 15%, após o aumento de 19% em 2010, bem acima do guidance do ano passado de 9% a 13%.

“Porém 2011 é o ‘ano chave’ para a implementação do programa de TI, o qual a administração espera estar 80% concluído no final do ano. Além disso, o Bradesco planeja aumentar 183 agências, 5% para o total da rede neste ano. A administração também afirmou que não vê claramente os ganhos de eficiência de seu programa de investimentos começando a ajudar os custos até 2013”, destacam os analistas em relatório.

Por conta disso, a equipe do HSBC projeta um crescimento de 14,7% nas despesas operacionais do Bradesco em 2011, um nível próximo à ponta alta da faixa de guidance.

“Esperamos que isso exerça pressão para baixo na rentabilidade sobre patrimônio líquido (RPL) para 2012, até que os benefícios do programa de investimentos apareçam em 2013”, afirmam no documento Victor Galliano e Mariel Santiago.

Avaliação

A recomendação para o Bradesco permanece neutra (alocação igual a média do mercado). Como fatores de alta, os analistas destacam a qualidade de ativos melhor que o esperado, menor pressão sobre as margens de intermediação financeira e controle mais rígido das despesas operacionais.

Por outro lado, como fatores de riscos de baixa, eles apontam o crescimento do crédito abaixo do estimado, bem como deterioração na qualidade do crédito, sem falar nos custos operacionais acima das expectativas e margens de intermediação financeira líquida e spreads sob pressão maior do que o esperado.

Novas cifras

Em 2011, os analistas projetam que o segundo maior banco privado do Brasil irá contabilizar um lucro líquido de 11,1 bilhões de reais. Para 2012, o ganho será de 11,5 bilhões de reais e, em 2013, de 13,4 bilhões de reais.

Em relatório, Galliano e Santiago reconhecem que suas projeções para o lucro líquido de 2012 e 2013 estão 11% e 10% abaixo do consenso do mercado, respectivamente.

“Reconhecemos que também fomos excessivamente conservadores em nossas estimativas de receitas, e as aumentamos, mas também fizemos uma segunda análise das despesas operacionais e encargos de crédito, em particular.”

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