Dólar estável antes de dados dos EUA e Trichet

SÃO PAULO – O dólar operava perto da estabilidade nesta quinta-feira, ora em leve alta, ora em leve baixa, uma vez que os investidores evitavam derrubar muito a cotação em meio às atuações do Banco Central.

O mercado aguardava uma batelada de dados sobre a economia norte-americana e a entrevista coletiva do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet.

Às 11h02, o dólar era vendido a 1,667 real, em leve baixa de 0,06 por cento. Frente a uma cesta de moedas <.DXY>, o dólar subia 0,20 por cento, enquanto o euro perdia 0,40 por cento, a 1,3755 dólar.

“O mercado tem receio de explorar um pouco mais a baixa, porque o dólar já está em níveis próximos de quando o Banco Central vendeu o swap cambial reverso”, comentou Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez, acrescentando que, por outro lado, não há motivos para o dólar subir.

“O mercado está respeitando as ações do governo no câmbio.”

Nesta manhã, o BCE anunciou manutenção do juro básico na zona do euro em 1,0 por cento, conforme previsto. A atenção estará nos comentários de Trichet, diante do cenário de pressões inflacionárias crescentes no bloco da moeda única.

“Ele está numa saia justa. O discurso normal do BCE é hawkish, a situação exige um discurso desse tipo porque a inflação está subindo em todos os lugares”, comentou Barbutti. “Mas me parece incongruente pensar em alta de juro neste momento.”

De fato, analistas internacionais não acreditam que o BCE indicará alta de juro iminente, mas deve enviar um forte sinal de que está pronto para combater as pressões inflacionárias.

A entrevista de BCE tem início às 11h30 (horário de Brasília), mesmo horário previsto para a divulgação dos dados de auxílio-desemprego e produtividade nos EUA. Às 13h00, estão previstos os dados de atividade no setor de serviços e encomendas à indústria nos EUA.

Os dados norte-americanos devem dar mais indícios sobre a saúde da recuperação da maior economia mundial, e podem alimentar o debate sobre se o Federal Reserve ficará atrasado em relação a outros bancos centrais na elevação do juro.

Analistas afirmam que o ambiente de liquidez abundante mundial, especialmente para emergentes, deve começar a diminuir quando o Fed voltar a subir o juro, mas já pode haver mudanças antes, quando o juro voltar a subir na Europa.

“No mês passado, o Trichet fez alguns comentários de que ia ficar atento à inflação e naquele dia os mercados já mexeram. A expectativa hoje é para ver se ele continua com esse tom mais duro”, disse Barbutti.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.