CÂMBIO-Dólar estável antes de dados dos EUA e Trichet

SÃO PAULO, 3 de fevereiro (Reuters) – O dólar operava perto
da estabilidade nesta quinta-feira, ora em leve alta, ora em
leve baixa, uma vez que os investidores evitavam derrubar muito
a cotação em meio às atuações do Banco Central.

O mercado aguardava uma batelada de dados sobre a economia
norte-americana e a entrevista coletiva do presidente do Banco
Central Europeu, Jean-Claude Trichet.

Às 11h02, o dólar era vendido a 1,667 real, em leve
baixa de 0,06 por cento. Frente a uma cesta de moedas , o
dólar subia 0,20 por cento, enquanto o euro perdia 0,40
por cento, a 1,3755 dólar.

“O mercado tem receio de explorar um pouco mais a baixa,
porque o dólar já está em níveis próximos de quando o Banco
Central vendeu o swap cambial reverso”, comentou Alfredo
Barbutti, economista da BGC Liquidez, acrescentando que, por
outro lado, não há motivos para o dólar subir.

“O mercado está respeitando as ações do governo no
câmbio.”

Nesta manhã, o BCE anunciou manutenção do juro básico na
zona do euro em 1,0 por cento, conforme previsto. A atenção
estará nos comentários de Trichet, diante do cenário de
pressões inflacionárias crescentes no bloco da moeda única.

“Ele está numa saia justa. O discurso normal do BCE é
hawkish, a situação exige um discurso desse tipo porque a
inflação está subindo em todos os lugares”, comentou Barbutti.
“Mas me parece incongruente pensar em alta de juro neste
momento.”

De fato, analistas internacionais não acreditam que o BCE
indicará alta de juro iminente, mas deve enviar um forte sinal
de que está pronto para combater as pressões inflacionárias.
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A entrevista de BCE tem início às 11h30 (horário de
Brasília), mesmo horário previsto para a divulgação dos dados
de auxílio-desemprego e produtividade nos EUA. Às 13h00, estão
previstos os dados de atividade no setor de serviços e
encomendas à indústria nos EUA.

Os dados norte-americanos devem dar mais indícios sobre a
saúde da recuperação da maior economia mundial, e podem
alimentar o debate sobre se o Federal Reserve ficará atrasado
em relação a outros bancos centrais na elevação do juro.

Analistas afirmam que o ambiente de liquidez abundante
mundial, especialmente para emergentes, deve começar a diminuir
quando o Fed voltar a subir o juro, mas já pode haver mudanças
antes, quando o juro voltar a subir na Europa.

“No mês passado, o Trichet fez alguns comentários de que ia
ficar atento à inflação e naquele dia os mercados já mexeram. A
expectativa hoje é para ver se ele continua com esse tom mais
duro”, disse Barbutti.

(Por Nathália Ferreira; Edição de Vanessa Stelzer)

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