Bovespa abre em baixa em meio a cautela no exterior

Por Olívia Bulla

São Paulo – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve seguir sem forças hoje e oscilar em uma margem estreita. Ruídos sobre uma mudança na regra do jogo no mercado de ações brasileiro ainda limitam os negócios e afugentam os investidores, principalmente os estrangeiros. Ao mesmo tempo, a intensificação dos protestos no Egito e os discursos de autoridades monetárias nos Estados Unidos e na Europa trazem cautela. Às 11h09 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) recuava 0,30%, para 66.487 pontos.

O debate sobre a trajetória dos juros e do câmbio no Brasil vem afetando a Bolsa cada vez mais. Segundo especialistas, o medo é de que o governo brasileiro promova um aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os recursos estrangeiros em renda variável. “A probabilidade de melhora no Ibovespa ainda é muito pequena, enquanto o governo não mostrar determinação efetiva em conter os gastos públicos”, acrescenta, em relatório, a equipe de analistas da Lerosa Investimentos.

No entanto, os preços de algumas ações negociadas na Bovespa já estão bastante descontados, o que abre espaço para repiques – como o verificado no primeiro dia de fevereiro. “Se a Bolsa subir, será por causa de caça por pechinchas e, se cair, será por causa desse ambiente interno desconfortável, somado ao menor apetite ao risco no exterior”, resume o chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista. Graficamente, ele aponta que o Ibovespa ainda pode defender o suporte próximo aos 66 mil pontos.

O cenário externo não ajuda, mas também não atrapalha. Os investidores mostram menor disposição ao risco, em meio à tensão política no Norte da África e antes da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), ainda hoje. A agenda norte-americana do dia também traz eventos importantes, com destaque para o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, sobre as perspectivas para a economia dos EUA, às 15h30.

Ao longo do dia, as varejistas norte-americanas publicam os números das vendas em janeiro. Às 11h30 (horário de Brasília), serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA e os números preliminares do custo e da produtividade da mão de obra no quarto trimestre. Destaque ainda para o índice ISM de atividade no setor de serviços no mês passado, a ser divulgado às 13 horas. No mesmo horário, saem as encomendas à indústria em dezembro.

No noticiário corporativo brasileiro, a Sonae Sierra estreia hoje na Bovespa, mas a expectativa para o papel da administradora de shoppings é um pouco mais modesta visto que sua oferta pública inicial (IPO) teve baixa procura. O preço por ação precisou ser reduzido para R$ 20, abaixo do piso da faixa indicativa, que variava entre R$ 21,50 e R$ 26,50. Este é mais um sinal de que o mercado continua cauteloso em relação às novatas na Bolsa, apesar do sucesso de aberturas de capital recentes, como as da Arezzo e da Droga Raia.

O setor financeiro deve repercutir a notícia de que o problema de caixa do Banco Panamericano foi ainda maior que o rombo bilionário divulgado até agora. Além do buraco de R$ 3,8 bilhões, provocado principalmente por fraudes contábeis, depois que o balanço foi colocado em ordem apareceu um prejuízo de cerca de R$ 500 milhões. Em números redondos, isso aumentou de R$ 4 bilhões para cerca de R$ 4,3 bilhões a injeção de dinheiro feita para acertar as contas do banco antes da venda do controle para o BTG Pactual, na terça-feira. Os novos números vão aparecer no balanço de 2010 do Panamericano, aguardado para a semana que vem.

Ainda entre os bancos, o Santander encerrou dezembro de 2010 com lucro líquido consolidado de R$ 3,863 bilhões, uma alta de 113,8% ante 2009, segundo o padrão de contabilidade BR Gaap. Seguindo o padrão contábil internacional, o IFRS, o lucro líquido do Santander foi de R$ 7,382 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento de 34% ante o resultado de 2009.

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