Bolsas americanas normalmente sobem após furacões

Ações de seguradoras devem ser as mais afetadas, enquanto construtoras podem levar vantagem

São Paulo – Junto com os temores da devastação que deve acompanhar a chegada do furacão Sandy à Nova York, vem também a expectativa pela reação das bolsas de Wall Street. Segundo o chefe estrategista de ações da Standard & Poor’s, Sam Stovall, em geral as ações sobem após grandes tempestades como a que se aproxima. 

Em entrevista ao site americano CNBC, ele explicou que dos 13 piores furacões da história americana, apenas Ike que atingiu o país no auge da crise em 2008, e Hugo, em 1989, foram seguidos por ações sendo negociadas no negativo nos 6 meses posteriores. Na média, os ganhos nas bolsas após as tempestades estão em cerca de 6%.

“As ações estão mais suscetíveis a eventos globais de grande alcance do que a desastres naturais localizados”, explica Stovall. 

O setor de seguradoras é apontado como o mais afetado. Estima-se que as empresas terão de lidar com pedidos de sinistros no valor de 5 milhões de dólares. Hoje, as ações de seguradoras negociadas na Europa já operaram em baixa

A perda, no entanto, deve ser momentânea. Quando o furacão Irene atingiu os EUA em agosto de 2011, as ações de seguradoras chegaram a cair 8%, mas depois se recuperaram quando os investidores perceberam que as empresas poderiam lidar com os prejuízos causados pela tempestade. 

No outro lado, a chegada de Sandy pode ser positiva para as ações de empresas de equipamentos de melhorias para casa, como Home Depot e Lowe’s. Construtoras como Toll Brothers, DR Horton e Hovnaniam também devem se beneficiar da demanda por reconstrução. 


O economista da Universidade de Maryland, Peter Morici, estima que os prejuízos totais causados pelo furacão Sandy devem chegar a, no mínimo, 35 bilhões de dólares – sendo que a maior parte será compensada com os benefícios econômicos da reconstrução. 

Bolsas de Wall Street fechadas

Os mercados de ações e opções dos Estados Unidos ficaram fechados nesta segunda-feira e provavelmente amanhã também estarão devido à chegada do Furacão Sandy à região de Nova York. Segundo a Administração Nacional Atmosférica e Oceânica, a tempestade pode ser a maior que já atingiu os Estados Unidos. 

A NYSE, empresa dona da Bolsa de Valores de Nova York, inicialmente informou que somente o pregão físico seria paralisado, mas que o eletrônico iria funcionar. Mas na noite de ontem soltou outro comunicado informando que as transações eletrônicas também seriam interrompidas hoje. Hoje, a NYSE comunicou que amanhã as negociações física e eletrônica continuam fechadas. 

É a primeira vez desde os atentados de 11 de setembro de 2001 que as bolsas americanas não ficavam fechada de forma não programada por tanto tempo seguido. Segundo a NYSE, a última vez que seu pregão físico foi suspenso foi em setembro de 1985, quando o furacão Gloria passou pela cidade. 

A negociação de títulos também permanecerá fechada na terça-feira, seguindo recomendação da Indústria de Valores Mobiliários e Associação do Mercado Financeiro. 

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