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Ibovespa volta a ser negociado e permanece em queda mais de 10%

As bolsas internacionais também seguem em queda. O índice da Nasdaq caía 4,60%, enquanto o Dow Jones recuava 5,31% e o S&P 500, 4,71%

São Paulo - O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, ampliava a queda na tarde desta quarta-feira (11), após a  Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia de coronavírus. Por volta das 15h15, o índice caiu mais de 10% e as negociações foram interrompidas por 30 minutos pelo mecanismo de circuit breaker, espécie de trava contra pânico (algo como “quebrador do circuito”, na tradução do inglês). Com o recurso, a B3 tem o direito de parar o pregão caso as quedas sejam muito fortes. É a segunda vez na semana que o mecanismo foi acionado. Na volta das negociações, às 16h37, o Ibovespa caía 10,33% para 82.688 pontos.

Lá fora, as bolsas também caem. O índice da Nasdaq caía 4,60%, enquanto o Dow Jones recuava 5,31% e o S&P 500, 4,71%.

"As pessoas vendem porque o preço está caindo, não baseado em fundamentos", explica Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos. É quase um círculo vicioso: "quanto mais cai, mais aparece vendedor". As dúvidas sobre a extensão da doença ganham força em um dia em que os investidores esperavam medidas mais concretas para conter a disseminação da doença nos Estados Unidos.

Além do anúncio, repercute no mercado a notícia que uma base militar iraquiana Taji, que abriga soldados americanos, foi atacada por 10 foguetes nesta quarta-feira. Ainda não há notícias sobre vítimas. 

“O mercado está em pânico. É uma semana turbulenta na história. A minha recomendação é manter a calma para não ir no efeito manada. A orientação é não se fazer desfazer de posições.  Se tem gente vendendo é porque tem gente que está aproveitando e comprando”, explica Bruno Madruga , responsável pela área de renda variável da Monte Bravo.  

“Agora, é para comprar e não para vender ações. Realizar prejuízo neste momento para preservar capital é um erro. O brasileiro ainda é muito acostumado com renda fixa e tem pouca experiência em ações”, afirma Julio Erse, diretor de gestão da Constância Investimentos.

Para Erse, os mercados só irão se acalmar depois que os governos passarem a anunciar medidas de estímulo efetivas. 

Pela manhã, a pressão sobre os mercados vinha da frustração dos investidores com o anúncio genérico sobre estímulos econômicos contra os efeitos do coronavírus do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Trump anunciou que o governo poderia reduzir os impostos sobre a folha de pagamentos e propor uma elevação da remuneração mínima para os trabalhadores. Além disso, o governo americano afirmou que poderia propor ao Congresso medidas para beneficiar as pequenas e médias empresas.

"A falta de detalhes fez com que a alta não fosse capaz de se sustentar e frustrou o mercado. A alegria durou pouco", afirmou Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da casa de análises Levante. 

A doença já deixou mais de 4 mil mortos e cerca de 120 mil infectados no mundo — a maioria na China, Itália e Irã, países com as maiores incidências do vírus. “Esta não é somente uma crise de saúde pública, mas uma crise que vai afetar todos os setores — e todos eles precisam estar envolvidos na luta contra o vírus”, afirmou a Organização em uma série de tuites, também salientando a importância de as pessoas não entrarem em pânico apesar da nova definição.

"Essa notícia da OMS joga mais lenha na fogueira. Podemos ir além de uma mera correção [da alta de ontem]. Agora o mercado está processando que o negócio pode ser muito grave", disse Eduardo Guimarães, analista da Levante Investimentos.

Já os analistas da Terra Investimentos destacaram ainda o aumento no número de infectados pelo coronavírus, sendo reforçados pelo lado interno, marcado pela demora de medidas do governo sobre reformas e de combate aos impactos do vírus na economia.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou mensagem ao Congresso na noite de terça-feira com pedido aos presidentes da Câmara e do Senado para que acelerem a pauta de medidas econômicas.

Diante deste cenário, a equipe econômica cortou projeção de crescimento neste ano a 2,1%, ante patamar de 2,4% calculado em janeiro. A estimativa ainda é superior à expansão de 1,99% esperada pelos economistas para a economia neste ano, conforme boletim Focus mais recente.

Ações em destaque

As ações preferenciais da Petrobras, com grande peso no Ibovespa, recuavam mais de 14,35% e puxavam o principal índice da B3 para baixo. O ativo segue pressionado pelo conflito comercial entre Arábia Saudita e Rússia, que gira em torno do preço do petróleo, que caía 4%.

Os papéis da Vale também caíam forte 12,68%.

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