Apreensão com quadro fiscal pressiona Bovespa antes de Fed

O governo decidiu reduzir a meta de superávit primário do setor público consolidado para cerca de 0,5 por cento do PIB

Ibovespa recua 1 – O principal índice da Bovespa recuava na manhã desta quarta-feira, com apreensões acerca do quadro fiscal doméstico pressionando os negócios enquanto agentes financeiros aguardam decisão de juros nos Estados Unidos.

Às 11h06, horário de Brasília, o Ibovespa caía 1,19 por cento, a 44.336 pontos, com a sessão também marcada por vencimento de opções sobre o índice e do Ibovespa futuro .

O volume financeiro somava 769 milhões de reais.

Apesar da oposição do ministro da Fazenda, o governo decidiu reduzir a meta de superávit primário do setor público consolidado para cerca de 0,5 por cento do PIB e permitir que o objetivo seja zerado com abatimentos.

Além de elevar dúvidas sobre a permanência de Joaquim Levy no cargo, a decisão também acentuou temores sobre a perda do grau de investimento do país por outra grande agência de classificação de risco.

“Com a redução, um novo rebaixamento é tão certo quanto a saída de Levy, deixando apenas o momento como variável na equação”, escreveu a equipe da H.Commcor DTVM, em nota a clientes.

Também adiciona volatilidade a expectativa sobre julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) de ações relacionadas ao rito para o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

No front global, os holofotes estão voltados para uma das mais aguardadas reuniões do Federal Reserve dos últimos tempos, com expectativa de que a equipe de Janet Yellen eleve os juros pela primeira vez em quase uma década.

A decisão será divulgada às 17h (horário de Brasília), com as estimativas apontando uma alta inicial de 0,25 ponto percentual. O comunicado com a decisão será seguido de entrevista de Yellen à imprensa.

O Credit Suisse disse que os eventos da “super quarta” podem fazer da sessão um dos dias mais importantes do ano em relação ao direcionamento do mercado brasileiro, “e por que não global”, a partir da parte da tarde.

A BM&FBovespa também divulgou a segunda prévia da carteira do Ibovespa que irá vigorar de janeiro a abril de 2016, sem alterações ante a primeira versão.

Destaques

=ITAÚ UNIBANCO e BRADESCO recuavam cerca de 2 por cento cada, pressionados pela leitura no mercado que os últimos desdobramentos na cena fiscal elevam as chances de novo corte na nota de crédito do Brasil, com risco de o país perder a avaliação grau de investimento por outra grande agência de rating.

Os bancos tendem a ser o primeiro grupo de empresas a ter a nota ajustada após um corte de rating soberano.

=PETROBRAS mostrava as preferenciais em queda de 1,89 por cento e os papéis ordinários recuando 1,98 por cento, na esteira do declínio dos preços do petróleo .

=QUALICORP desabava mais de 8 por cento, com operadores atribuindo o tombo a uma nova etapa da operação Acrônimo da Polícia Federal em São Paulo e em Brasília. Um dos alvos de busca é o empresário Elon Gomes, sócio da Aliança Administradora de Benefícios de Saúde, comprada pela Qualicorp em 2012.

Representantes da Qualicorp não puderam comentar o assunto de imediato. A PF não comentou o assunto afirmando que a operação está sob segredo de justiça determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

=VALE revertia as perdas inicias e mostrava as preferenciais em alta de 0,5 por cento e as ordinárias com ganho de 0,6 por cento, diante de alta dos preços do minério de ferro na China.

=CEMIG avançava 2,67 por cento, no segundo dia de alta forte. O Supremo Tribunal Federal (STF) agendou para 16 de fevereiro de 2016 nova audiência de conciliação entre a estatal mineira de energia e a União, na qual se tentará chegar a um acordo sobre o destino da hidrelétrica Jaguara, cuja concessão venceu em agosto de 2013.

=BTG PACTUAL, que não faz parte do Ibovespa, buscava o quarto pregão de ganhos, com elevação de 0,76 por cento. Entre as últimas notícias do grupo, o banco de investimentos pediu aos interessados em sua participação na empresa de recuperação de créditos Recovery do Brasil que apresentem ofertas nesta quarta-feira, disseram à Reuters cinco fontes com conhecimento direto da situação.

=OI saltava cerca de 7 por cento, em meio à repercussão favorável de que a operadora de telecomunicações deve anunciar até sexta-feira acordo de crédito de 1,2 bilhão de dólares obtido com o China Development Bank, o banco de fomento chinês, conforme noticiou a Folha de S.Paulo, referente a memorando assinado no final de novembro.

O entendimento é de que o financiamento diminui a dívida de curto prazo e tira a pressão da empresa de ter que fazer alguma operação de fusão ou aquisição pouco vantajosa. A Oi tem estado sob os holofotes com expectativas de uma operação com a TIM Participações.

Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (Edição de Priscila Jordão)

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